Johnsoaressyndromet

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Há um sintoma de que invade a mente de João Soares.
Quem sabe seja a sua própria versão de uma Stockholmssyndromet, esse estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passe a ter simpatia e até mesmo um sentimento de amor ou amizade pelo seu agressor.
Estranho esse sintoma que o toma, num paralelo distorcido a 2016 nesse distante ano de 1975, saído de uma vida de expulsões académicas sem que conclua a licenciatura em Direito, quando forma com o amigo Vitor Cunha Rego a editora Perspectivas & Realidades e publica logo o “O Triunfo dos Porcos“, de George Orwell, uma sátira à União Soviética de Staline, esse ditador autoritário e egocêntrico.

Que perspectiva e realidade o tomam nos anos que seguem, fazendo de um sintoma uma síndrome, confundindo numa carreira política o estar em ser?
O político que está transforma-se no político que é.

João Soares.jpg

João Soares transmuta-se na imagem desse filho que não logra o sucesso do Pai que observa. Faz de um olhar paterno omisso razão instrumental para prosseguir uma carreira articulada em defesa desse seu eu autocrático onde se confundem o individuo público e privado sem que exista uma linha divisora entre os dois.
Se num passado logrou um modesto sucesso enquanto vereador e Presidente da Câmara de Lisboa, a sua carreira política declinou quando perdeu as eleições para líder do PS em 2004.
Ganhara José Sócrates e João Soares ainda tenta ser Presidente da Câmara Municipal de Sintra onde perde para a oposição do PSD. Nesse ano refugia-se na Assembleia Parlamentar da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa em Copenhaga onde fica até 2010.

Quando a Geringonça toma posse no final de 2015, e juntando essa lembrança de Lisboa Capital Europeia da Cultura em 1994 que o então vereador socialista havia promovido, António Costa, em tom de Poncio Pilatos, lava as suas mãos e une o fragmentado Partido Socialista convidando João Soares como memória histórica do Pai fundador.
Foi uma bofetada de mestre.

Só que João Soares de sintoma já sofria na totalidade a sua própria síndrome.
Os trejeitos aflitivos começam logo quando se junta às manifestações públicas em contra o próprio Governo que o escolhera.
0,2% do Orçamento para a Cultura num país que ficou os últimos anos recluso de uma Secretaria de Estado patética não são suficientes.
Depois seguiu-se o “seguramente o demitirei” sobre António Lamas, Presidente do CCB, facto que concretizou sem contactar ou avisar de ante-mão o próprio.
Seguiu-se a presença no lançamento do livro de um condenado por pedofilia, acto que não esclarece se faz como cidadão ou político, mas é neste momento que a ténue linha se esbate e não se sabe onde um e outro começam.

Agora, após receber uma energética crítica sobre os seus constantes silêncios na investida cultural de que um Ministério tem que prestar contas, alça-se a um duelo sintomático da forma arcaica como leva a vida nesse seu jeito sintomático da síndrome que tem.
Recordando os amargos de boca contra dois jornalistas, Augusto M. Seabra e Vasco Pulido Valente, promete um par de salutares bofetadas a cada um.

Se João Soares não confunde o facto de não ser um político, consegue demonstrar bem o poder que acha ter por estar a sê-lo:
cair na vergonha da repercussão pública que os seus actos infantis têm.

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