8,2

Este texto poderia ter diversos nomes ou mesmo sub-títulos, exemplo; ‘o fio do canalha’, ‘desdenho, euforia e delírio’ ou mesmo ‘o diabo está nos detalhes’. Fico-me mesmo só por um número. E que número.

Quando já os primeiros sinais de que tudo ia de mal a pior na economia portuguesa, cerca de um ano antes do pedido de intervenção, Sócrates dizia que “Portugal é o campeão do crescimento”. Facto versado no défice de 11,2% do PIB que nos deixou como memória da sua profana governação.

O Dom não foi meu, é mesmo facto apurado por aquele que não mente e faz da estatística Nacional o pomo da discórdia entre contas que servem para vanglória infrutífera da memória branda portuguesa.
Parece que o rapaz do brinco, esse mesmo, anda por aí falando em altivo tom de crítica sintomática de quem não venceu eleições mas fez delas fanfarra para criticar esse governo que, descendo o défice em 8,2%, se acha intitulado a dizer que o crescimento actual de 0,8% é extremamento positivo quando em Maio de 2015 lamentava quase o dobro concretizado pela oposição.

Se há vida além do défice? mais parece que não.
A luta intransigente não revela isso, tendo 2016 sido o ataque dos clones, mais décima, menos décima, consagrada agora nos detalhes diabólicos que sustenta juros e dívidas que uma DBRS vê com olhos de desdem face ao que se passa numa Caixa de Pandora Nacional.

A inépcia governativa atingiu aqui uma novidade.

É certo que António Costa se assemelha muito a um Trump, pato bravo de lógicas construtivas do proveito próprio, mas falta-lhe ser o verdadeiro Oliveira da Figueira quando aquilo que se trata é o país frente a um sistema financeiro que nada faz para o ajudar.
Mário Centeno e as suas teorias e projecções condenadas a livros utópicos muito menos.
The Devil.jpg
Deixar arrastar a administração da CGD pelo lodo, sendo que nisso a oposição se juntou e banqueteou até Carlos César decretar a sentença final*, apenas mostram a inabilidade e tom colérico em como, quando não têm sagaz capacidade para resolver um problema, suspendem esse algo no diz-que-disse incoerente que, caso se vivessem tempos ‘normais’, já um 4º ministro na linha de sucessão, havia sido trocado.

Mas não, de facto é o diabo que se esconde a olhos vistos nesses pequenos detalhes, nas minudências diárias de um País que, tendo tido os seus cofres cheios para crescer com uma calma ponderada, se faz agora com uma bravata populista e eleitoreira a defender (neste caso bem) os pensionistas e (aqui sem justificação) os funcionários públicos.
A Manifestação Sindical da passada sexta feira dia 18 de Outubro teve essa inovação nunca por mim recordada: o governo fez-se presente como braço aleado desse que sempre o espolia e tenta vergar.

Que significa? Que o governo vergou, as contas públicas estão entregues aos sindicatos, e mais divertido de tudo, além do Primeiro Ministro ter sido apanhado a mentir sobre a CGD, o défice e tudo mais, ainda vai subir nos inquéritos e estatísticas.
A sorte é uma, é ver como isso funcionou no Brexit e nas últimas eleições Americanas… ou aqui, onde um governo que não se elegeu ganhará os créditos por ter resgatado o que deixou insolvente.

*A sentença final que Carlos César, líder da bancada Socialista, decreta terminada com a entrega compulsória das declarações de rendimentos dos gestores da CGD é na verdade uma pequena mentira branca. Os mesmos já o haviam feito aos cofres da Caixa quando entraram em funções, sendo a principal diferença o momento em que os mesmos se tornam públicos: no fim da sua gestão.

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