Casa de Bonecas

Sim, o título da crônica não está errado. É mesmo Casa de Bonecas nessa alusão à peça teatral do chatíssimo dramaturgo Norueguês Henrik Ibsen e o seu Magnum Opus sobre a emancipação feminina num mundo masculinizado onde a aceitação existia sem conflito.

Aquilo que trago de diferente, e aqui introduzo o Orçamento de Estado de 2017, a viagem do Primeiro Ministro António Costa à China e as mulheres que sustentam a sua realidade política, é o final alternativo e convencional que Ibsen escreveu para a sua Casa onde a boneca Nora se mantém submissa sem enfrentar o marido e abandonar os seus filhos.
Ibsen escreveu a versão como tentativa de um erro que, ao lhe sair caro, fora representado apenas duas vezes, agradando ao público de uma época convencional onde a diferença era mística de oportunidade perdida.
Em 1879 a versão original prevaleceu e a Sociedade, face ao choque, interiorizou a necessidade de mudança.

Hoje, 137 anos depois, o diferente é cláusula de página que não se vira.

O sintoma reactivo começa logo por um candidato a Primeiro Ministro que, ao fazer da crítica à anterior governação assunção positiva da diferença num país que o seu partido deixou, ir agora, entregue a uma Extrema Esquerda Comunista, vender-se à mais selvagem China capitalista, tão amiga das privatizações portuguesas.

Mas privatizar parece já nem ser tema tabu num Comunismo que até propõe gestão público-privada de património Estatal. Foi erro? Ninguém diria face a uma geringonça onde tudo parece ser ensaiado.

E ensaiado foi o orçamento. Lançado na imprensa face à opinião pública, testou-se o dinamismo dessa violência doméstica que se impõe aos lares nacionais.

Drumpfed.jpg

Mortágua deu o mote ao saque Imobiliário que fez deste o orçamento das taxas e taxinhas. Pior, ao ter demonstrado ao que vinha, nesse perder de vergonha, mostrou a falta de vergonha que as mulheres em torno do Partido Socialista têm.
Se submissão ideológica não é o seu nome, sobrevivência política face a um país furioso com o bolso a ser espoliado neste novo ano fiscal, é garantia segura.

Antes vociferavam, gritavam e eram até sinónimos de estridência. Agora não.
Catarina Martins e as manas mortágua falam suave e pausadamente, Rita Rato até usa maquiagem, Heloísa Apolónia quase moderada e Isabel Moreira acredita que o PS venceu as eleições. Até Assunção Cristas prefere defender o programa da oposição como combate político.
Só o PSD falhou nesse “Troika, o retorno!”.

Não fosse o tweet da ‘nunca-declarada-mas-sempre-socialista’ Estrela Serrano, cujo melhor atributo – nesta minha misoginia intelectual – será o beicinho na foto que ilustra as suas crônicas semanais, diria que a insandecência havia atacado a Liberdade das Mulheres que lutam na Assembleia da República.

Estrela Serrano Tweet.jpg

E lá está, este não é um bom orçamento (nem Estrela Serrano luta na Assembleia), pelo menos não na medida que um orçamento não deve tirar, nem muito menos “ainda” descobrir onde buscar o dinheiro que os orçamento anteriores não souberam onde ir tirar.
Um bom orçamento, chatíssimo de ser feito, alvo das inúmeras versões necessárias que sejam, é aquele que sabe gerir o que existe para fomentar o crescimento possível, edificado na realidade vigente.
Não isto que se apresentou como algo digno de um Governo que não foi eleito ou sequer teve um programa sufragado nas urnas.

Vejamos então, este é o Orçamento da fraude, não dito por mim, mas por todos os analistas e técnicos na matéria, instituições Nacionais e internacionais, baseado num crescimento outrora prometido de 2,9 e que agora vai em 1,1%.
Aquilo que se (re)tira de um lado é posto de outro para tapar um buraco que mais tarde se faz maior face a uma população que apenas envelhece e não encontra verdadeiros estimulos a ser mais e melhor num país que se busque produtivo.
Melhor ainda, quando se privilegia um determinado grupo laboral apenas pelo facto de pertencer à categoria pública, como se isso o tornasse melhor que os restantes profissionais da Sociedade Civil, apenas se abre uma brecha maior entre a injustiça Social que abala o país.

Cresce o PS nas sondagens de intenção de voto?
Sim, porque a violência doméstica e a submissão feminina desse final alternativo de Ibsen continua a ser uma realidade demasiado actual. Ainda há quem as agarre by the pussy…

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