11 segundos

“Os Portugueses haviam atingido, pelo seu esforço heróico , o apogeu. Senhores das Terras, sim, Senhores dos Oceanos, e depois de evocar Fernão de Magalhães, primeiro navegador que deu a volta ao Mundo, glorificava-se Camões e a sua epopeia eterna Os Lusíadas.
À morte de Camões sucederam-se sessenta anos de luto e de cativeiro.

(…)

Mas em 1640 a Independência, que o Prior do Crato procurara em vão defender na Batalha de Alcântara, recuperou-se graças aos Portugueses de Lei de que D. Filipa de Vilhena é o exemplo magnífico.”

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Sempre que faço uma reflexão ponderada da actualidade política/económica/social que atravessamos, nunca deixo de mencionar os 11 segundos a negro que pontuam o magnífico documentário realizado por António Lopes Ribeiro sobre a Exposição do Mundo Português de 1940 acerca da presença Espanhola em Portugal de 1580 a 1640.
Condensam-se 60 anos de história portuguesa em 11 segundos em que o narrador nem uma mera menção à Dinastia Filipina faz, resumindo – como acima transcrito – o período num luto e cativeiro.

A glorificação Salazarista do Império, desse seu Mundo Português, não cabia na interferência estrangeira onde o suposto inimigo se instalaria em território já dantes conquistado.

Não sei se tenho por direito genético, ou talvez por dever de uma Pátria à qual não pertenço mas onde vivi grande parte da minha vida, uma palavra a dizer quando se trata de Ditadores e a imposição de uma história que se reescreve para falar uma verdade a mentir. Não entrarei na fútil discussão acerca se o Fascismo tem origem no Marxismo ou não. Tanto quanto sei nada nem ninguém é produto de solo infértil e as ideias surgem da confluência dos interesses.

Parece que o Mundo, este do Tecnicolor HD onde o 3D já parece ter passado de moda, está cada vez mais saturado até uma exaustão cromática que nos divide entre o absolutamente certo ou totalmente errado.
Ou se é da Esquerda, radical de preferência, ou da Direita extremista. O populismo, palavra tão apetitosa, faz parte dessa dicotomia que nos torna tão Humanos como nesse bom selvagem quinhentista que se pensa educar pela Fé, mas afinal não passa do ardil da referência imposta.

Marine Le Pen, Geert Wilders’ ou até António Costa não são a causa mas a consequência de algo maior que não nos devia ultrapassar mas acaba por fugir na negação genética que nos pertence. Fazer da geração futura o repositória das vontades falhadas que a actual (ou passadas) não lograram concretizar. Ou na possibilidade do erro admitido, fazer a sua correcção.

No país dos brandos costumes a arte e engenho apelida-se de Geringonça.
Esse feito que nos transcende na probabilidade de ser – tal como os 11 segundos de António Lopes Ribeiro – rasurado a negro na História desta Nova Portugalidade.
E não escrevo de forma leviana, ou como mera crónica de estilo diário para encher mais uma página de um diário digital. Digo-o pela forma incompetente como a normalidade de um país insolvente se tem vindo a gerir e a ser aceite enquanto a estratégia de acordos cujas firmas já nem em vigor seguem, prefazem pantomima destrutiva do que seria uma Democracia participativa e equilibrada.

A Governação Socrática é negada sobre a pertença culposa de PSD/CDS em relação a um Programa de Ajuda Externa cujas consequências persistem no ameno dos juros internacionais que disfarçam a problemática maior.
A Caixa, de atentado à Nação, passou a fait divers enquanto o passado profissional escrutinado de cada um serve de arremesso presente sobre aquilo que não cabe à Governação controlar.
As biografias de uma Democracia jovem tornam-na velha e bafienta onde os desafios televisivos mais parecem duelos de retórica académica onde esse novo Portugal se insurge para barrar quem dele discorde.

Mas sempre assim o foi, e pode ser que sempre assim o seja.

Quando o Portugal de Marcello, o herdeiro, se viu entregue na mão dos militares, logo esta Esquerda actual – da qual Costa é herdeiro genético – se impôs para dar seguimento ao que o Império de Salazar seria na visão Russa.
Se o argumento não convence, quem sabe a transcrição do facto prevaleça, já que no mesmo documentário, para finalizar o reduto da origem populista da engrenagem que nos governa na actualidade, a grande batalha do futuro era justo essa, a eterna Sindicância Mendicante que faz o costume mais brando de Portugal, o Socialismo de pacotilha que interessa a um Estado gordo feito de bolsos vazios.

“1140, 1940, Portugal festejou oito séculos de História.
No limiar da Sala ‘Portugal 1940’ erigiram-se as estátuas dos lemas dos Chefes: Carmona – “Soldado fui sempre escravo do dever e da honra” -; Salazar, cujo lema fielmente cumprido fez de Portugal uma das mais respeitadas nações do Mundo – “Estudar com dúvida e realizar com Fé”.
Dentro dava-se imagem da vida política e social do Estado Novo, a que Portugal não se limita a celebrar o seu passado, orgulha-se do seu presente e prepara o seu futuro.

Portugal, país de boas contas, apresentava-se ali aos olhos de toda a gente em gráficos claríssimos, e as bandeiras dos Sindicatos do Trabalhadores, cobrindo uma vastíssima parede, representavam o Corporativismo, a grande batalha do futuro.
Rendia-se homenagem a Legião e à Mocidade Portuguesa, ao Exército e à Marinha.

E a Exposição do Mundo Português fechava sobre a Estátua do Império, uno e indivisível, orgulhoso da sua fundação e da sua independência, glória eterna de Portugal.”

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