A pedra de fecho

Se a política é a arte do possível, Lula, após a divulgação de tudo aquilo que se seguiu à sua detenção, é o possível Líder que um dia se fez a voz de rádio com um mero programa semanal.

Escutá-lo, nesse seu ‘Tchau querida’, nessa permissividade impotente de uma Presidente que o trata por Senhor, rebaixando-se perante aquele seu igual político, vendo a galhofa na referência às instituições que comandam, no vocabulário que usa para descrever a Mulher brasileira, na covardia que vê em seu torno que não o ajudaria, é razão de monta para se perguntar, com licitude, o porquê do seu receio com a “República de Curitiba“.

Sérgio Moro, o Juiz que comanda a Operação Lava Jato desde o seu início a 17 de Março de 2014, tem-se pautado por uma total isenção político partidária.
O seu único pecado é versar-se em Antonio Di Pietro, o Juiz italiano que, entre 1992 e 1994, fez implodir o sistema político italiano com a operação Mãos Limpas. É que se Sérgio Moro, por ora, segue sendo justiceiro em causa Nacional, rápido pode se tornar justicialista em causa própria.

Só que aqui entra a complexa realidade Brasileira.

Nunca esquecendo a raiz colonial Brasileira, tão patente nessa Casa Grande & Senzala de aceitação, de ‘A preta do Acarajé’ à ‘Carioca’, onde tudo se altera e nada se modifica. Onde a aceitação de classes fica patente no desejo da Democratização que aceita ser diferente na sua igualdade desde que o respeito se mantenha e não atropele.
Só que, como se diz, a casa caiu.

Ainda assim, mesmo que a casa esteja a ruir ou tenha mesmo caído ou desabado, a pedra de fecho da política Brasileira, nessa alusão ao paradigma da chave Democrática, continua firme. Essa pedra é o Povo, o que determina a escolha da intersecção das duas abóbadas políticas que sustentam o Governo. Esse Povo está determinado em acabar com a crise que se instituiu no Brasil.
Uma crise que se auto-alimenta da corrupção e prolifera com a destruição por ela causada.
Quanto mais especulativo o mercado petrolífero está, mais a gangrena corrupta do Petrolão se torna evidente, mais o Povo exige a cabeça daquele que tudo lhes deu.

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O erro de Lula é esse. É não compreender que a Classe Social que ele repete ter ajudado a ascender aos direitos dos demais – dos coxinhas, da elite Branca -, serem agora eles os detentores do direito em julgar esse que se acha ele maior dono deles. Dos seus direitos em poder julgá-lo por ser o seu Santo Eleito.

Lula não é o Presidente. Ele é um Presidente. Um cargo eleito (na verdade ex-Presidente). E como a ele ascendeu, dele pode ser retirado. E Dilma igual. Esse é o seu erro, achar que quem se opõe, de forma popular na rua, pedindo o seu impeachment, é golpista.

Em última análise, no fim do tumulto, a resposta que o Povo dará para Lula e Dilma será tão sintomático como “Tchau queridos”, garantido a Constituição de que não terá golpe.

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