Os suspeitos do costume

Há coincidências e há conclusões coincidentes. Entre elas há a certeza de que algo estranho, muitas vezes, se passa diante de todos, suspeitamos e deixamos passar como mais uma teoria da conspiração acessória.

Sobre o Banif e a sua iminente queda abrupta na passada semana circula já uma teoria possível sobre a interligação de factos ocorridos.
Ora vejamos:

O Santander comprou o Banif; o Santander é o accionista maioritário (em Portugal) da Prisa; a Prisa, por sua vez, é a dona da TVI, e a TVI foi quem avançou com a notícia de que o Banif estava à beira do colapso. Nesse momento a voz popular revoltou-se contra a forma ‘imprudente’ com que noticia havia sido avançada mas o que é certo é que a TVI, que é propriedade da Espanhola Prisa, que por sua vez se vê nos interesses do Santander e que, curiosamente, foi quem acabou por comprar o Banif.

É uma teoria conspirativa que faz sentido, e que até precipitou determinados factos, mas perante o inevitável – a falência do Banif; a sua venda; resolução – não seria a notícia de roda-pé da TVI que iria precipitar a crise financeira que se instalou.
Nem isso nem a questão da responsabilidade transversal que os políticos, supervisores, a banca e os envolvidos nestes processos, todos eles, têm.

The Usual Suspects.jpg

A questão que se coloca – e esta merece a profunda análise onde a lógica agrega a conspiração da saída por défice excessivo – é o porquê de ter sido feita uma resolução com ónus para o contribuinte ao invés daquilo que sucedeu quando se intervencionou o Banco Espírito Santo?

A forma populista como o novo executivo tem feito a sua política eleitoreira demonstra bem a ausência de consciência sobre estabilidade económica. É uma cornucópia de dádivas monetárias num retorno, embora justo, insuportável em tão curto espaço de tempo.
Conjuga-se o verbo ‘devolução’ em tudo, sem saber muito bem de onde virá o dinheiro que fará essa compensação imediata.

Afinal os cofres cheios gastam-se depressa quando a pressa em iludir as pessoas é muita.

Isso e tentar fazer pura demagogia política por ideologia partilhada. Mas como manter uma disciplina e rigores financeiros quando se alargam os cordões a uma bolsa que exige maneio prudente?
Pois bem, através de uma resolução bancária.

Como a resolução do Banif não fez uso, no seu todo, do fundo de resolução bancária – tal como no BES/Novo Banco -, um novo fundo público de resolução foi pedido ao BCE e aprovado pela Comissão Europeia. Assim, mesmo criando um rombo descomunal no Erário Público – e na ‘carteira’ dos Portugueses -, o actual Governo consegue um empréstimo para encher os cofres e garantir o défice de 2015 abaixo dos 3%, rectificando tudo e empurrando o possível.

Só que há uma diferença entre a resolução bancária e a resolução pública. Enquanto no BES, quando se separou o banco bom do banco mau, se ficou logo a saber o porquê do valor injectado na falência para o seu resgate, no Banif não se sabe o porquê do valor anunciado.
Mais, o valor foi sendo acertado à medida que era anunciado, numa soma que diariamente subia e causa espanto pela dimensão da mesma comparativamente à do Banco.

Para engrossar este angu, tanto a ex Ministra das Finanças como o CDS-PP já levantaram dúvidas sobre o porquê do dito valor avultado.
Para complicar tudo ao PS o PCP anunciou que vai votar contra o orçamento rectificativo, e o BE levantou as suas dúvidas.
A geringonça falha.

Parece que bastaria à oposição votar contra e o Governo da Frente Unitária acabaria com o voto a favor do próprio fim. Ainda assim suponho que tal não ocorra, por mais fascinante que seja, numa clara denegação “sanfônica”.

Mas como todas as teorias de conspiração têm um princípio, este começará mal a nova CPI se inicie e se veja quem são, desta vez, os suspeitos do costume.

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