escarro

Se dúvidas existissem sobre a ululante promiscuidade entre a poder político e a imprensa portuguesa, ontem, em sede de comissão Parlamentar de Inquérito, essa sdúvidas foram de forma plena dissipadas.

Naquele que foi a tentativa de corroborar se havia havido uma intromissão directa da TVI na venda do Banif a um preço vil ao Santader, noticiando o fecho do Banco Internacional do Funchal na semana seguinte ao domingo 13 de Dezembro de 2015, comprovou-se em como uma escarra mediática logrou atingir todos aqueles que, em voz off e protegidos nas costas do Director de Informação do canal de Queluz, saíram mal nesta fotografia pública.

Vamos aos factos pragmáticos.
Não teria sido um mero roda-pé televisivo que teria feito a resolução no Banif uma necessidade inegável, pese embora que o descuido com que foi vinculado ajudou, e bastante, a que os depósitos assegurados pela instituição se vissem rapidamente assacados pelos seus clientes, desvalorizando o já zombie bank para uma compra proveitosa.

Se a estranheza dos factos não é intolerável, intolerante foi a postura de todos os presentes na audição de Sérgio Figueiredo, começando pelo próprio.
Fingir-se um incauto despreparado para ir a uma comissão, fazendo o jogo do comentário paralelo, como se nunca na vida tivesse tratado de uma audição mediática, foi levar ao expoente máximo a sua carteira profissional enquanto jornalista ao minimo denominador comum.
Mais, o momento ternurento que fracção de segundo durou, em que à deputada bloquista chama simplesmente Mariana, indiciando que com ela tem mais que a simples distância parlamentar, foi auspício para a resposta que mais o maculou e que porventura o indiciará em processo judicial.

Fora a crispação política, nas típicas jogadas partidárias, muitas em defesa da honra de quem havia ou não cometido o ilícito de deixar o banco falir – entre assistir ao Socialista João Galamba mediocremente passivo sem incidir em perguntas de foro conclusivo – chegou a vez de João Pinho de Almeida, CDS-PP, inquirindo se por ventura o Director de Informação havia falado, na sequência da notícia vinculada pela TVI, com o Primeiro Ministro António Costa, ao que ele responde que, como antes já disse, não revela fontes anónimas.

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Ou seja, se gravidade existe, neste imiscuir entre o poder político e jornalístico, é saber que, em derradeiro momento, surge a suspeita que até o Primeiro Ministro pode ser o informante de que o Banif iria ser alvo de resolução bancária, tendo por base aliada – como meio de repercussão mediática – a redacção de um canal privado que por um acaso é em parte detido pelo banco que assegura a divida partidária do PS.

Um escarro.

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