(in)justicialismo

Ainda que dentro do Ministério Público possam existir profissionais sobre os quais recaiam suspeitas sobre a sua conduta profissional, questionar a Magistratura de forma abrangente, ou mesmo questionar a prestação isenta que a procuradora Geral da República Joana Marques Vidal tem tido ao longo do seu mandato, tal como Sócrates fez no seu ‘one-man-interview-show’ na TVI, é algo que a palavra repugnante não resume.

Pior, pensar que Sócrates, o ex-Ministro Star Socialista dos mais altos índices de popularidade e das grandes amizades com Procuradores, inclusive desse almoço questionável justo antes da partida para um regresso em detenção mediática, levantam mais suspeitas que tudo mais.

Mas se por um lado há esse assunto que foi a manobra política de um tempo de antena a um cidadão que se faz mais do que aquilo que, actualmente, pode ser, o jargão por ele remetido a uma chinfrineira total guarda essa sintomática verdade daquilo que é: justicialista.

O mitómano Sócrates, nesta sua pose de filósofo das citações de algibeira incertas, sempre tentando fazer uma transcendência imutável entre um antes 21 de Novembro de 2014 e um pós tudo o que de lá pra cá ocorreu, faz-se vítima de uma politização que o próprio cria.

Mas afinal, nesta senda da palavra, pelo próprio usada e abusada, que é o Justicialismo da Justiça? Ela deveras ocorre? Para e por quem…

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As origens históricas do Justicialismo remontam aos anos ’40 do século XX quando Juan Domingo Perón formava o Movimento Nacional Justicialista na Argentina. A palavra é uma apropriação do termo ‘Justicia’ relativo à recém criada Justiça Social da Secretaría de Trabajo y Previsión, a principal bandeira política do Partido Peronista.

Claro que os ideais do Justicialismo aos descamisados – atraente na sua forma de distribuir rendimentos aos mais pobres retirando daqueles que mais produzem e sustentam a lambança Governativa – nessa política de estimulo interno, acabou por dilacerar a Argentina num período de Ditadura Militar.
O período chamado Revolução Libertadora durou pouco mas foi sintomático de um tratamento choque de uma década de Peronismo com Juan e Eva no poder: a “Evitar”.

Mas falamos de uma Esquerda mitómana e claro que a sede em cumprir um desígnio transcendente regressa. O Kirchnerismo é o novo Justicialismo Argentino, fonte de inspiração Socrática, essa feroz contenda política que nos apoquenta.

Resumindo razões: entre anos de insinuações, deslizes e amizades que se terminam nestas negações patéticas sobre estilos de vida incomportáveis no formato ou capacidade plausível de se saldar dívidas, chegamos à brilhante conclusão por Sócrates assumida: a sua Justiça é a sua cara; Justicialista.

E justo porque por ele foi criada.

Foram anos de manipulações inaceitáveis com Procuradores a defenderem de forma inaceitável um Primeiro Ministro engomado a teflon. Não havia indício que não se lhe desculpasse. Questão que por jeito ou ambição não se manipulasse e se fizesse comprar ou afastar.
Se hoje se julga o cidadão José Pinto de Sousa, que tanto se sente humilhado por esse facto, eu pergunto onde anda o feroz animal José Sócrates para ser politicamente julgado pelos seus desfeitos num país que deixou à mercê da bancarrota e partiu rumo a uma vida de aparência em Paris?

A Justiça em Portugal não é Justicialista. Apenas o é para quem dela o faz ser, num feitiço que se vira contra o próprio feiticeiro, e esse é o maior (in)justicialismo para Sócrates.

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