‘¿Podemos ser amigos?’

Costumo fazer o exercício de olhar atrás no passado histórico para defender o futuro próximo, um esforço de memória.
Como me apetecia dizer os paralelos históricos da ida de Merkel e Holande a Putin, as parecenças deste com a ida de Lord Chamberlain a Munique a 30 de Setembro de 1938 um ano antes da II Grande Guerra começar com alvíssaras de ‘Peace for our Time’ (Paz para o nosso Tempo), mas de amizades tratamos e não de feudos presentes, hoje farei antes o esquisso inverso do projecto desenhado.

Começo por olhar para a Venezuela.

País que se declara Democrático, sim, mas não consta na lista oficial dos países considerados plenamente Democráticos e, como bons laços que se unem, com boas razões para tal.
O seu Estado Social, Socialista ou Socialismo do século XXI, como o falecido Hugo Chávez – o eterno Presidente – ou o actual Nicolás Maduro, cunharam, não é mais do que o exemplo do dito populismo exacerbado de que permanentemente falo e se trata de um mal a abater.
Joga com o facilitismo emocional dos pobres, prometendo-lhes muito a troco de aparentemente nada: a Liberdade de escolha.
Desde que fiquem perpetuadamente ligados ao Partido Socialista Unido da Venezuela tudo lhes é facultado. Dado que a Venezuela é um dos países produtores de Petróleo mais ricos do Mundo nada parece falhar. Mas há um problema. A Venezuela apenas produz. Não refina.
Para tal tem de contar com os custos imputados pelos países aliados num mercado, volátil, que é mau. Mau para um país populista que acha que negociar é impor condições sem fazer concessões.

A razão: as refinarias Venezuelanas no estrangeiro, por necessidade de sustentação interna, têm vindo a ser privatizadas, princípio abjectamente contrário ao Governativo do Senhor no céu, Chávez.

A Venezuela está em Estado de sítio. A comida escasseia e a Revolta Estudantil alastra-se a Revolta Popular onde a Polícia Bolivariana impõe a força Militar nas Ruas de Caracas.
O Fim não se prevê simpático.

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Mas na amizade reside um passado de presente futuro.
Amigos da Venezuela são as Caraíbas, Cuba e China, que por mutuo acordo recebem metade da produção diária dos 300 milhões de barris que o país produz, diga-se, gratuitamente.

Amigo pessoal de Hugo Chávez foi José Sócrates. Ambos Socialistas, ambos com ideias e ideais sobre a gestão do Estado Social.
Várias foram as visitas entre os países ‘amigos’ – hermanos até – e os contratos milionários repartidos para ambos. ‘Pino e Lino’ lembram-se?, e o milhão de Magalhães para as crianças estudarem?

Passados todos estes anos, morto Chávez, erguido Maduro (como se houvesse oposição real para escolha democrática), a vinda da Troika demonstrou que a amizade Venezuelana não era a mais indicada ‘Socialmente falando’ para Portugal. Independente de culpas e responsabilidades, Sócrates está preso sob investigação com um negócio de construção de habitação popular cedido ao Grupo Lena, justo na Venezuela de Chavez.

Adiante, pois de amizades correntes falamos, e não do passado histórico dos que já não cá mais estão para se defender.

A sucessão política Venezuelana, que mais parece um feudo ditatorial, ou ganha laivos disso, é agora dirigida por Maduro. E Maduro é amigo de Pablo.
Pablo, Iglésias de apelido, é de formação socialista humanista e deve o seu radicalismo ao avô morto pelo Franquismo.
Formado em 2008 como politólogo, defende em 2010 uma tese de doutoramento sobre antiglobalização onde a revolta social e civil devem ser a norma.
Pablo Iglésias não é mais que o líder, quase espiritual – direi; do grupo extremista de esquerda Podemos.

Acho interessante assim a amizade de Pablo e Maduro e a apoteose entre os ideais Socialistas que tão bem estão a funcionar na América Latina serem muitos dos quais o Podemos quer implementar por Espanha. Tem tudo a ver, um populismo desenfreado onde o que conta é passar a mão pelo ego descontente das pessoas.

Iglésias, por sua vez, é amigo de Alexis.
Alexis é Tsipras, o recém eleito Primeiro Ministro Grego que vem com grande afã repor a ordem monetária na Grécia, terminando o reinado do despesismo Helénico, e colocando os Deuses do Olimpo a ganharem de novo o seu salário completo, o trabalho que tinham perdido e a sua electricidade à borla. Alexis só esqueceu que o Banco que lhe emprestou antes, e que buscou dinheiro aos demais países da União Europeia, não acha graça a medidas oportunistas para angariar votos com promessas impossíveis de cumprir a longo prazo.

Mas voltamos às amizades, às de outros tempos, agora quase esquecidas, mas que é bom rever na lição para ver as linhas com que se cose o pensamento de quem, à implantação do populismo em Portugal, ganhará as eleições por Terras Lusas.

Sócrates era ‘gran’ amigo de Chávez, mas não de Maduro. Não sobrou tempo para tanto. Ou sobrou?
Será Costa amigo de Maduro também, ou afasta as amizades populistas da sua linha Socialista de pensamento? É que se Costa é amigo de Maduro, Maduro de Iglésias, Iglésias de Tsipras e Costa elogia a vitória do Syriza.

Desconto de barato o rumo das amizades…

Bem pode Costa vir agora pra Espanha lavar a alma política junto do PSOE e cometer alarvidades geográficas como afirmar que Badajoz é a capital Espanhola mais perto do Oceano Atlântico, pois aquilo que disse quando a extrema esquerda venceu na Grécia foi o anuncio concreto da amizade política:
¿Vamos ser amigos?

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