A Culpa

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Cunhas há muitas, mas depois há as patetas. Aquelas dos erros de percepção mútua, do ano saboroso lá fora que aqui dentro foi mortal. Desse pateta que nos subiu os impostos da gasolina mas até hoje jura que não.
Sim, Centeno, o pateta, meteu (ou lhe foi metida) uma cunha para ir ao futebol, ver um jogo, ele e o filho, nessa boçal possibilidade que o crepúsculo dos Deuses Políticos e figuras públicas permitem em ampla contradição e crítica desbragada.
Venha a acusação.

No distante passado de 2015 – como se essa distância fosse larga o suficiente para auferir certidumbre sobre o que escrevi – deixei um resumo histórico sobre a Purga Democrática a que até então assisti.
Na verdade deixei mais, uma farpa gráfica, nesse quase auto-explicativo texto, onde se lia em latim “Ei incumbit probatio qui dicit, non qui negat”, sintoma de algo que a não ser verdade contemporânea, vive extemporaneamente neste mundo da frívola acusação entre desiguais.

A prova da culpa não mais recai em quem acusa, antes em quem se vê acusado.

Centeno Benfica.jpg

O friso greco, buscando a queda do Império Romano, frisava justo esse ônus da prova de que Centeno padece: que culpa tem o economista rebelde por estar político num mainstream que o Endeusa e permite o acto de pedinchar e ver satisfeita a vontade?
Afinal sobre que mãos recai a responsabilidade da nega? A quem pede ou a quem, sabendo da posição política e social (e se não mesmo o contrário) do visado, lhe aufere tamanha regalia.

As purgas ocorrem justo pela inversão dos princípios, pois se se olhar sempre para quem praticou o bem – como se viu um Primeiro Ministro entre o povo que o elegeu – e só acusar o erro sem a prova cabal, cai-se no estigmatizar de uma culpa que se chama responsabilidade.

Centeno é pateta, responsável por viver deslumbrado em se sentir Ministro, quando na verdade não passa de um mero economista. Pede porque se respalda nessa abnegada sensação prepotente de ser quem está, não de quem é, e disso se valer face a quem dele pode tomar partido.
Agora, como diz o seu patrão, “se o fez, é porque tinha boas razões para o fazer”; resta é compreender quais?
Porque até aqui parece-me que ganha mais a especulação da culpa que o sentido de responsabilidade.

(isto até se saber que se tratou de uma cunha bem metida, Correio da Manhã dix it)

É manha. Pela manhã.

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