República de Comentadores

É inegável que a reversão do princípio não assinado de que o vencedor governa e os perdedores assentam arraiais na acirrada oposição tem dado os seus frutos. Se a caranguejola se vê a braços embaraçada em ser designada de extrema-Direita ou – nesse jargão postergado à ignorância colectiva do – ‘neo-liberal’, a geringonça é o deleite do livramento.

Um livramento não é mais que a ‘soltura’ de alguém que estava aprisionado, um paralelo religioso que a Direita, conservadora nos seus princípios, faz face a essa Esquerda agnóstica praticante do ateísmo. Se um lado sempre se ajoelhou para rezar, o outro fora imaculado de pecado.
Agora não, a soltura é total e as palavras de honra do Senhor Primeiro Ministro são reflexo dessa República de Comentadores que alardeou a política Nacional.

Se Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente Comentário, é o exemplo máximo do talento ataviado para esse efeito, não somenos o Primeiro Ministro o foi ainda em tempos de Quadratura onde se desdisse de tudo aquilo que hoje exemplifica.
Se exemplos colaterais sobre o facto passado não bastassem, nos dias que passam até em prime-time é agressivamente desdito por quem nem economista é, demonstrando que a sua herança austeritária lhe permitiu agora gracejar a res publica com cornucopias abundantes de pouca dura.

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Mas que importa o truque? Centeno devolve um cêntimo e o povo aplaude a poupança no depósito de gasolina que garante, quase, um café.

É que a política transformou-se em sintoma de galhofa de café. A radionovela Simplesmente Maria parece ter sido adaptada aos comentários da Simplesmente Marisa, enquanto o eterno ‘rival’ de quem ela substituiu na TVI mudou de horário na SIC para dar élan à sua pauta vinda directa de Belém.

Mas nem todos são paus mandados e se na televisão pública já não há assento semanal com auto-denominados proprietários da RTP, há políticos que se intrometem na pauta jornalística para dela dizer ser “vigarice extrema”. Ao que parece os comentadores da enformação não gostam de ser informados.
Mas onde começa a informação e a formação?
Onde fica a Esquerda e a Direita, esse extremismo ideológico, idiomático que une todos em torno de algo comum: querer sempre o melhor para o país que continuam a reprogramar a cada vez que são (ou não) eleitos.

Quem sabe venha agora mais uma resposta nesse Messias da premissa internacional.
É que a batalha naval vai começar, com Paulo Portas na TVI a comentar.

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