Erro de Percepção Mútuo

Parece que a teoria dos factos alternativos se abateu na conferência que Mário Centeno deu para justificar a condição que assentiu para que toda uma Administração fosse isentada de apresentar as respectivas declarações de rendimentos.
Não fosse a cabeça do Ministro das Finanças ser o prémio jocoso de um Governo em que o suporte passa por um Presidente starlet de vichyssoise requentada em riste, diria que a justificação ‘erro de percepção mútuo’ sobre documentos comprometedores onde se demonstra cabalmente um acordo prévio é o facto alternativo do momento.

Vejamos, nem grande esforço para o teorizar faço já que José Manuel Fernandes do Observador o descreveu com uma minúcia inacreditável em estilo ‘House of Cards’. Vale a leitura.
Mas levanto outras questões, quem sabe numa inquirição alternativa dos factos alternados que um Ministro pouco político e caído nas suas graças sem graça se fez ao ridículo para se defender.

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Será que ninguém, quer no hemiciclo, quer na Comunicação Social, achou estranho ser um cidadão privado a impor um decreto redigido ad hominem por um escritório privado? E o Ministro das Finanças, apadrinhado pelo Primeiro Ministro, não fazerem disto qualquer problema, aceitando sem qualquer resiliência a imposição de António Domingues para que fosse esse o ponto de partida para negociar com o BCE?

É que o dito decreto foi aprovado, quer pelo Governo quer pelo Presidente, ficando num limbo existencial até a umas apropriadas férias Natalícias quando a consoada faria da Caixa um presente especial debaixo da árvore de Natal.
Não só o idiota útil postergou a recapitalização para 2017 como o défice não se veria afectado.
Costa era o herói, Centeno o brilhante economista.

A questão agora trata de saber o depois.
Não só António Lobo Xavier, ex-dirigente do CDS e amigo de António Domingues, diz saber que “há uma troca abundante de mensagens, de textos, de papéis, sobre a evolução das conversas, das negociações” entre o ex-presidente da CGD, os seus advogados e o Governo sobre como excluir os Administradores da Caixa de entregar as declarações de património no Tribunal de Contas; como tornar a questão pessoal, colocando a aceitação na pessoa especifica de Centeno, menosprezando o seu Gabinete quando responde (ou se omite em responder) emails, demostram como António Costa fraqueja na Governação do seu executivo.

Porque quando até Marques Mendes, a voz off de Marcelo Rebelo de Sousa, desfaz o Ministro das Finanças dizendo que o mesmo não foi “um homenzinho”, penso que está tudo dito…

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