América de Trump

48 horas fizeram toda a diferença.
George Holliday enviou a gravação que fizera da varanda do seu apartamento para a estação de tv local KTLA e assim aquilo que podia ter sido apenas mais uma acção de Law & Order da Polícia de Los Angeles fazia a abertura de todos os telejornais um pouco por todo o mundo Democrático.

Quatro polícias, brancos caucasianos, apareciam a espancar um cidadão negro, estendido no chão, bastonadas até à sua inconsciência e submissão.
Raça, raiva, divisão e preconceito: Rodney King tornava-se a primeira reality tv star da actualidade.

Los Angeles incendiou-se com a inocência dos futuros culpados. O racismo fez-se presente, Bush pai centrou forças entre o ódio contra a Comunidade Coreana e a sua prevalência no seio dos bairros mais pobres onde as hipóteses de subsistência Afro-Americana se fazia sobrevivência.
A América perdia a inocência de Kennedy maculado por Nixon. Rumava-se a Clinton, Bill, charutadas Cubanas onde a Sala Oval seria questão sobre a inocência da mentira Presidencial.

“I did not have sexual relations with that woman, Miss Lewinsky.”

Mas teve, e os Estados Unidos tornaram-se virais, vestido azul com intentos de impeachment e reeleição falhada.

O bug do Milénio trouxe Bush filho, inconsequência, trivialidade, impreparo, inépcia.

Setembro de 2001 teve o seu eterno dia 11, repetido na memória da lembrança maldita. Shock and awe, Iraque, armas de destruição maciça, Sadam, não existência de armas de destruição maciça. Breaking News. 24/7/365.
Fahrenheit 911New World Order, Conspiração, teoria, clivagem, livre arbítrio. Crise do Subprime, colapso, ausência, Katrina.

Yes we can!
Obama, primeiro Presidente negro. “At last!”

Primavera Árabe, Libia, Gaddafi. Prémio Nobel, We’ve got him. Osama Bin Laden is dead! Reeleição.

Sandy Hook, Guantanamo sim, Cuba sim, Guantanamo não. Da promessa à desilusão, a conspiração que alimenta o eleitorado que está por vir.

O graffiti quase não se nota mais, mas quem ali vive sabe que o slogan “Black Lives Matter” foi escrito a meio do aceso debate sobre o revisionismo histórico que a América de Obama vivia. A Liberdade de Expressão e os Direitos para todos pareciam ser um maná inigualável, tudo até a Michael Brown ser morto a tiro pela polícia de Ferguson no Missouri.
Charlottesville torna-se no centro da polémica actual, remover ou não a estátua de Robert E. Lee, General da Confederação?

Sim, Não?!
Racismo, Black Lives Matters. We all matter. Não. Divisão, união. Não. Obama é árabe. InfoWars garante, a Main Stream Media mente.

Hillary vs Trump.
E-mails e Rússia, a luta pelo poder: A América de Trump, estatísticas e show off, o reality tv star torna-se Presidente dos Estados Unidos.

Real America.jpg

48 horas fizeram toda a diferença.

“We condemn in the strongest possible terms this egregious display of hatred, bigotry, and violence. On many sides.”
De diversos lados?

Alt-Right, Supremacistas Brancos, KKK, Neo-Nazis.
Uma autorização para protesto contra a remoção da estátua no centro da discórdia, tochas, bandeiras, cânticos a incitar ao ódio. “Blood and soil; Whose street? Our street!”; White Lives Matter.
Contra-protesto, Liberdade de Expressão, Direito a ter direitos. Alusão à hipotética Alt-Left, Antifa. “No Nazis, No KKK, No Fascist USA!” Black Lives Matter.

Heather Heyer, 32, é morta enquanto protesta. James Fields, 20, conduz o carro que a mata e fere mais 19 pessoas.
O balanço dos protestos perde a igualdade de lados. Trump é chamado a condenar os White Supremacists que regozijam com o seu silêncio. 48 horas após o incidente fá-lo pifiamente.
24 horas depois regressa a ser quem é.

“You had a group on one side and group on the other and they came at each other with clubs – there is another side, you can call them the left, that came violently attacking the other group. You had people that were very fine people on both sides.”

No Mr. President, you did not.
Nada justifica a existência do Nazismo, KKK, Supremacia Branca em pleno século. XXI. Não depois de Hitler, do Holocausto.
Só mesmo agora com Trump, BannonGorka.
Uma América que nos prova que afinal o futuro da Democracia (ainda e) sempre reside na Europa.

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