Lavoisier e a Banca Portuguesa

Bem podem os refugiados estar a ser repatriados de volta à sua guerra, o conflito Sírio andar numa marcha-atrás sem posição definida e a situação política Europeia ser a fragmentação iminente que se supõe, mas o foco da atenção actual são esses papeis panamenhos cheios de asteriscos e ressalvas e salvaguardas de acusação sobre o uso indevido de offshores.

Nisso, e como não poderia deixar de ser, Portugal.
Bem pode o poder Luso ser questionado pelo seu próprio Presidente que no seu 1º Conselho de Estado senta à cabeceira da mesa o credor para lições de moral, como a Governação da Geringonça andar ela também numa marcha atrás daquilo que se dizia errado na anterior Caranguejola que o fundamental agora é a grande conspiração de fuga paradisíaca aos impostos que o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos “descobriu” no Panamá.

Mais, num passe de magia unem-se os problemas estruturais da Banca Nacional com as offshores que alguns conhecidos da praça teriam usado.
Se o furo é sensacional, a verdade é que cada vez mais o mistério da Banca Portuguesa, das sucessivas intervenções e resoluções bancárias que têm sido aplicadas, mais parecem uma perversão da frase chavão do Pai da Química moderna, Antoine Laurent de Lavoisier, “na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma“.

LAVOISIER

Se o BPN foi um acaso para um triste ocaso, que ainda se busca uma parva desculpa para a existência dos resquícios de uma Parvalorem, a verdade é que quando o BPP acontece o sintoma da repetição começa a surgir.
O BES foi o culminar desse processo de ajudas a bancos que se supunham ‘to big too fail’, mas agora o Banif já se torna num verdadeiro caso de silogismona Banca nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” em dívida, falências e razão para resgates com o dinheiro dos contribuintes.

Mas o sintoma que alavanca a fraude em que tudo se tornou, a realidade de que a mentira se tornou uma forma de praticar a verdade, foi quando Mário Centeno, actual Ministro das Finanças,assumiu que a liquidação do Banif custaria 5.000 milhões de Euros, ao invés da sua atabalhoada venda que apenas viu cerca de metade desse valor sair dos cofres Estatais.
Se se pensar que o resgate do BES, um banco 5 vezes maior que o Banif, para a sua resolução apenas precisou de uma injecção de capital na ordem dos 4.900 milhões de Euros, algo nesta matemática do passa culpas constante sobre qual Instituição tomou a decisão errada em qual banco bate muito errada.
Evidente que estou a comparar liquidações com resoluções e vendas, mas o facto é que também se compara dimensão e escala.

Se o BES que era um banco que tinha, antes dos desastrosos resultados que levaram à sua queda, património liquido na casa dos 7.476 mil milhões de Euros, pergunto-me como pode ser que o Banif, um banco que tinha 1.279 milhões de Euros em património liquido logo antes da notícia da TVI anunciar a sua falência iminente, porque precisaria um de quase tanto dinheiro para a sua salvação.
Será que esta verdade de Lavoisier aplicada à Banca Portuguesa é assim tão sintomática da mentira que tudo isto se tornou? Ou estamos todos a enganar-nos até compreender que nada foi mesmo criado, nada foi perdido e aquilo que se transformou foi a projecção de algo que a nunca ter existido se acreditou existir?

É que a verdade de Lavoisier é mentira. A extinção nas espécies existe e não se transforma em nada.

“Nothing’s never to big too fail” and banks will go extinct.

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