panis et butyrum

[…] iam pridem, ex quo suffragia nulli / uendimus, effudit curas; nam qui dabat olim / imperium, fasces, legiones, omnia, nunc se / continet atque duas tantum res anxius optat, / panem et circenses. […]
Sátira 10.77–81

Por volta do ano 100 a.D. o poeta Juvenal escrevia o que acima se transcreve, nessa citação sobre a venda do voto humilde e popular frente ao populismo facilitista da fome Humana: Roma elege os seus políticos fazendo uso da Cura Annona, os suprimentos de cereais da cidade.
Este facto, aliado à política de entretenimento bárbaro com a morte gladiatória no Coliseu, cria a expressão ‘panem et circences’ – pão e circo.

Em súmula, as políticas de um Império em desconstrução interna baseavam-se no estimulo interno de uma vã Esperança imediata, vulgo populista, que mais não fazia que eleger políticos corruptos rumo a um desastre iminente.

O desastre fora claro: o tempo da República havia chegado ao fim e o Império tornara-se uma realidade.
Júlio César fora traído e a época dos triunviratos instalara-se. Se o primeiro falhara para tomar o poder Imperial que se instalava no Império que crescia, o segundo, liderado por Otaviano, Lépido e Marco António, logra o impensável, promulgar a Lei Títia e assim formalizar o fim da República Romana.

Mas igual que a Hidra de Lerna, um Império não pode ter mais que um Imperador. A anarquia instalada em Roma leva a que Otaviano se torne o primeiro Augusto Romano assim que Marco António e Cleópatra se suicidam no Egipto em 27 a.D..
Termina um século de guerras e batalhas e dá-se início à Pax Romana, farta em ‘Panem et Circenses’, mas recheada de Imperadores despóticos e corruptos. Se Otaviano Augusto devolveu o poder ao Senado quem a ele se seguiu fez da escolha e colocação dos ditos cargos públicos uma forma de controlo sobre o Povo Romano.

Por volta de 70/90 d.C., com o crescer desconjuntado de uma cidade Imperial, entre hordas de habitantes facilmente impressionáveis, o Imperador Vespasiano dá início à maior obra populista comerciável do entretenimento de massas: o Coliseu. É neste anfiteatro, inaugurado em 80 d.C. pelo seu filho, o também Imperador, Tito, que começam os banhos de sangue e oferta de pão para regozijo popular, tal qual paliativo para as crises de vida que se vivem no exterior da arena.

Mas se no tempo da República Romana tínhamos ‘panem et circenses’, agora, no tempo da República Democrática Europeia temos ‘panis et butyrum’: pão com manteiga.

 

PANNE Y CIRCENCES

Não que o texto introdutório, longo mas objectivamente incompleto, faça um espelho daquilo que pode vir a ser o futuro da Democracia Republicana que a Europa vive, mas mostra bem como o jogo político é o mesmo desde os tempos em que Roma era um Império.

O conteúdo, na maioria das vezes é relegado para esse facilitismo de uma definição já lida, expressa, feita por outro que a leu, escreveu ou deu. Preferimos não pensar ou ter uma opinião que se faça prevalência. E se se faz morre nesse facto sem contraditório ou contradição.

A Europa é um conjunto desconjuntado de opiniões à espera que haja um triunvirato que assassine alguém e tome o poder. Que se mate uma Hidra e a liderança não seja mera lide monetária na limpeza de activos tóxicos.

No meio de tudo, entretido pelo show das quedas, regates e resoluções, o povo. Já não basta o pão que lhe dão, como a manteiga que lhe vendem.
São promessas eleitorais, eleitoralistas, mentiras que se aceitam como verdades praticáveis, agregadas ao livre arbítrio, escolha induzida, crédito fácil; à manteiga que se compra sem se querer comprar.

Já não é a emoção do jogo que vende, é o merchandise em torno dele que gera burburinho e comoção a ser ordenhado.

Mas e os nossos cem anos de guerras e batalhas? Quando terminaram?
Quem fará o triunvirato? Napoleão falhou. Hitler e o Eixo também.
Sobra a União Europeia. O mapa que se desenha é em tudo similar ao Império Romano. Só muda a atitude despótica. (ou nem tanto)

Muda, isso sim, a manteiga que nos vendem.
Ultimamente mais parece banha da cobra

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