Apropriar a Cultura

‘A ruptura existe porque o elo mais fraco se quebra.’

Se assim não fosse, a premissa primordial de uma génese humana pura e casta, onde a evolução não existe, seria o presente estático de um antanho pré-histórico onde a miscigenação era o risco que ninguém quereria correr.
Felizmente alguém correu. E assim se encerra 2018 na premissa que a cultura também se viu apropriada.

Sejamos sinceros, sem que a espécie se miscigenasse, onde estaríamos? No idílico sonho da segregação racial? Arianismo no putrefacto estado incestuoso?
Ou uma espécie que em si sucumbiria?

Felizmente mais que a oposição do oposto se atrair, as nossas diferenças complementam-se e entre todos a cultura que perfaz o nosso ADN faz-se apropriação para partilha futura.
A apropriação cultural, génese negativa de um fenómeno natural, é uma das – se não a – maiores fraudes do nosso tempo.

Se a Bíblia, no Génesis, fosse a razão lógica da Criação, Adão e Eva seriam o primórdio incestuoso de todos nós.
Na sua ausência a Evolução da Espécie dependeu do natural cruzamento entre a atração dos que entre a diferença encontraram a sua similitude.
Mas que dizer numa Sociedade que, cada vez mais, procura clamar nos seus eleitos “muros em vez de pontes” quando somos uma mestiçagem diversa e plural?

DNA

Hipocrisia!
Sem a natural mestiçagem, quer física, ideológica ou cultural, a genealogia humana não existiria e a espécie sucumbiria sobre ela própria. Veja-se o exemplo prático do Batik.
Invenção milenar aperfeiçoada na ilha de Java, Indonésia, trazida para a Europa nos inícios do século XVIII por colonizadores Holandeses, ganha o sucesso das suas impressões quando o processo se vê aperfeiçoado e tornado mecânico, baixando os custos e aumentando a produção.
Mas a tentativa de vender a cópia Holandesa do Batik Indonésio no Oriente falha devido a uma falha no processo. As cores borradas em padrões berrantes fogem ao apelo popular, mas ganham vazão na costa subsaariana de África. Lá as Dutch Prints são renomeadas African Prints e desde o século XIX tornam-se uma marca e herança cultural indissociável de África, sem que de África tenham na génese origem, técnica ou, em si, cultura.
Evidente que a apropriação histórica fez-se realidade, e ainda que a maioria dos Batik indonésios vendidos por toda a Àfrica seja fabricados na Holanda, eles são cultura africana.

E isto traz-nos à génese crítica da apropriação cultural como pecado crime que reescreve a história.
Da mesma forma que em nós vive a memória dos nossos antepassados, armazenada no nosso ADN, os genes culturais da memória Humana vão se armazenando tal qual espiral onde uma eleição Democrática imposta pela vontade vencedora cria, recria e escreve o que é para nós a cultura do Homem. E pode ser que na actualidade, sinal do retrocesso macroeconómico de múltiplos resgates financeiros, o mote seja os #________First (escrever país de eleição), egoístas, com muros e sem pontes, onde o Nacionalismo se confunde com ser Patriota, mas há um elo que não se rompe por maior imposição feita: a Origem.

A Origem passada de quem somos e de onde viemos vive em nós, num indelével traço genético tal qual Batik. Mestiço, diverso, plural e onde a Revolução do Homem se faz Evolução da Humanidade.
A perfeita apropriação cultural a ter.

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