a Elite Branca de Lula

O mandato foi expedido, e de expedita forma abalou um país agarrado à justiça que, de certa forma justiceira, busca não ser justicialista.
Lula, o mais popular dos Presidentes da República Democrática Brasileira, recebe do Juiz Sérgio Moro a ordem para a sua prisão.
O Brasil, dividido na retórica das políticas, queda-se atónito. O momento é triste, independente do partidarismo. Mas foi Lula, na sagacidade dos seus actos, quem cunhou a frase que dividiu um país: “a elite branca”.

Resta agora analisar, que Brasil é este, onde um Presidente branco, transformado numa elite tão corrupta como aquela que ensinou e educou a corromper, logra se designar igual aos pobres que dividiu para reinar?

Antes de partir para o que é esta branca elite que Lula, parafraseando Cláudio Lembo ex-Governador de São Paulo, usou para criticar quem vaiava a Presidente Dilma na abertura da Copa do Mundo, é preciso compreender o mito da Democracia Racial que se perpetua no Brasil.
O conceito define-se com base no princípio de que “a maioria dos brasileiros não se veem pelas lentes da discriminação racial, e não prejudicam ou promovem pessoas baseadas na raça”, logo não existe racismo no Brasil como em países colonizados com base na escravatura (exemplo imediato, Estados Unidos da América).
Se a falácia não se sustenta, a verdade é que em si contém alguma verdade.

Partimos do princípio empírico que o preconceito vive enraizado na génese Humana, mas ao mesmo tempo que a sobrevivência da espécie decorre da sua reprodução. Nisto entramos no plano prático onde a Democracia Racial tem a sua maior verdade: a miscigenação.

Bem sei que bafientos ‘novos’ valores de Übermensch e raças Arianas povoam um horizonte de radical conservadorismo, mas nem Gobineau (degenerações à parte) errou quando falava que a miscigenação era inevitável.

Factos são factos, o censo de 2010 determinou que 47,51% da população brasileira se identifica como Branca, 43,42% como Parda, 7,52 Preta, 1,1% Amarela, e 0,42% indígena.
Diferentes ascendências étnicas são uma realidade no Brasil.

A miscigenação contabiliza-se, onde o preconceito não se enraíza e, ao contrário, é orgulho ao qual se dá nome: branco, preto, sarará, moreno claro, moreno escuro, mulato, morena, mulato claro, mulato escuro, negro, caboclo, escuro, cabo verde, claro, araçuaba roxo, amarelo, sarará escuro, cor de canela, preta claro, roxo claro, cor de cinta, vermelho, caboclo escuto, pardo, branco sarará, mambebe, branco caboclado, moreno escuro, mulato sarará, gazula, cor de cinza claro, crioulo, louro, moreno claro caboclado, mulato bem claro, branco mulato, roxo de cabelo bom, preto escuro, pelé.

Mas o orgulho da identidade é feito confundir-se com o orgulho da capacidade.
Aqui se entra no dividir para reinar que Lula, o torneiro mecânico com ensino básico feito sindicalista articulado, logra ao introduzir a retórica, nós contra eles.
Nós os trabalhadores, eles a elite. Eu (futuro) Presidente.

Lula Preso.jpg

O Brasil dos ricos que tudo podem contra a turba anônima que tudo sustenta e nada ganha. O Colonialismo da Casa Grande e Senzala em plena Democracia, a nova (e igual) elite corrupta se instala nas alas do Alvorada enquanto a divisão Social é pauta para angaria o voto dos indigentes.

elite é branca. O trabalhador é pardo. O ostracizado é negro. Tudo é cota, racial.
Mas o branco vem de privilegio, não de cor. Pretende antes caracterizar o modo como esse grupo se posiciona diante das desigualdades estruturais do país, agindo no sentido da manutenção dessas desigualdades e, consequentemente, dos seus privilégios, permanecendo como elite dominante.

Mas é aqui que as críticas ditas a Dilma rebatem na personificação que Lula fez desses que contra eles estão.
Olhando para o ex-Presidente, sabendo do esquema revelado pela Lava Jato, não se posiciona ele diante das desigualdades estruturais do Brasil, buscando dividir para reinar com esse único fito: ser a elite dominante?
Mais não.
Lula será preso.
E o Brasil nunca mais igual.

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