Facebook, Democracia e Boaventura Sousa Santos

Há uma evidência no testemunho de Mark Zuckerberg frente ao Senado Norte Americano: O facto dele não querer revelar o Hotel onde pernoitou, reservando a sua privacidade, demonstra frontalmente como todos os que estão no Facebook o fazem porque querem.
O problema das redes sociais – em geral – não reside na questão do consentimento em vender a informação que lá introduzimos, para usar gratuitamente uma ferramenta consentimos em fazê-lo, a questão reside justamente no tipo de informação que publicamos sobre nós próprios.

Maior risco do que o próprio espelho é a mentira de não se querer olhar para o seu reflexo.

Vivemos o momento da verdade sem reflexo, ou a se ver reflectida é tão distorcida que é a mentira que criamos.
A Democracia tornou-se esse espelho onde nos mentimos.

Não se pode falar da Democracia que nos mente sem primeiro dizer esse chavão negado até à sua concretização contra todas as sondagens: Brexit.
O Reino Unido nunca se separaria da União Europeia, as estatísticas indicavam a certeza disso e erraram. O Brexit existe e foi a primeira realidade onde o impacto mediático entrou em acção sobre a realidade distorcida das vontades partilhadas e aquilo que na verdade queremos.
Sem que o impacto fosse revisto, a realidade voltou-se a negar na mais traumatizante realidade que agora se vê sob investigação. Trump venceu contra todas as expectativas.
Foi interferência estrangeira, manipulação eleitoral, quebra de dados numa rede social.
Foi a Democracia onde muitos preferem viver na mentira, crendo que o seu reflexo é a verdade de uma realidade distorcida.

Cito Lula, genial na estratégia para ser preso.
“Já não sou um ser humano. Sou uma ideia”

Qual maior poder que ser só e apenas uma ideia, tal qual semente que se enraíza e germina como conceito a desenvolver…
O problema é que há ideias más.

A culpabilidade de Lula, aqui acusado de crime comum, é algo que exorcizo.
O ex-Presidente pode até não ser culpado na questão que envolve o triplex do Guarujá, é antes o Líder da Quadrilha – que sempre existiu na classe política Brasileira –  que encontrou o fundamento para agir numa lavagem a jato onde o Mensalão permitiu a institucionalização do Caixa Dois como modus operandi. A verdade é que com o PT dos Sindicatos e a retórica dos pobres do Bolsa Família – o aparelhamento do poder – subsistiu para desmantelar um país Imperial.
Mas agora o Imperador está preso, e nem opiniões – frise-se a palavra – como a de Boaventura Sousa Santos lograram que ‘a história o absolva’.

O Director do Centro de Estudos Sociais vive aprisionado num reflexo antidemocrático onde a verdade se distorce para se manipular e Nuremberga é virgula de passado relativista.
Numa diatribe habitual onde a supremacia esquerdista existe contra essa existência da Direita Fascista ad nauseum, Sousa Santos faz das mais espúrias comparações possíveis; “A campanha anti-petismo faz lembrar a campanha anti-semitismo dos tempos do nazismo. Em ambos os casos, a prova para condenar consiste na evidente desnecessidade de provar.”
Longe de mim querer dar lições de retórica institucional sobre o III Reich e o que é a instrumentalização de um regime Ditatorial – parece-me que os regimes que a Esquerda defende têm laivos de parecença ideológica – mas caso a irrefutável prova de que o Holocausto foi cometido em segredo, relegando essa campanha anti-semita para o julgamento que foi Nuremberga, a articulação que se tornou a Guerra Fria talvez traga um amargo de boca para quem faça tal argumento.

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É certo que a cartilha nos conta que no passado a Revolução de 1917 acabou oficialmente com a discriminação Judaica seguida do Exército Vermelho vencendo o Branco na disputa político partidária que nos relegou o Comunismo. Mas já Hitler se havia suicidado e a 2.ª Grande Guerra terminado quando em 1946 Stalin acusava centenas de poetas, escritores, pintores e escultores soviéticos de serem “cosmopolitas sem raízes”. Entre 1948-53 foram dizimados por se expressarem no idioma iídiche, por serem de etnia Judaica.

E lá está, uma ideia se fomenta e torna em conceito para argumento. Se “uma única morte é uma tragédia, um milhão de mortes é uma estatística” – em modo citação histórica – ser tendencioso por vontade ideológica é ser apenas redundante.
É partilhar a mentira que distorce a realidade na expectativa que o próprio reflexo o absolva.
Não irá.

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