O rato e a montanha

Muito escrevi sobre Sócrates, quem sabe sempre num jocoso tom de alma crítico que me recorda piada feita e condenação montada.
Hoje não. Serei frontal e sincero como gostaria que tivessem tratado o meu Pai aquando do seu processo dos sobreiros e subsequente desmultiplicação em submarinos de atracção.

Julgado foi, ironia de ignorância pública, inocentado foi.
– Falo de meu Pai, Sócrates se segue.

Li e reli a acusação que recai sobre o ex-Primeiro Ministro.
Não estou aqui para isenta-lo de culpas (se as há) ou responsabilidades (que são muitas), mas antes para falar nessa clareza sobre a prepotência do cargo que se ocupa e a versatilidade do que dele se faz.
A condenação da actuação e o seu posicionamento.
Do rato e da montanha.

Hipócritas, todos! (uma afronta!), coloquem a mão na consciência, caso Sócrates, José, Pinto de Sousa fosse uma figura de consenso e proximidade – uma Madonna – vivendo no etéreo de uma vida onde cartões de crédito e dinheiro vivo são extensão de algo narrável como “fotocópia”, não teríamos todos alguém que pagasse por nós as contas?
Anda a nova ‘infeliz’ residente Lisboeta de cartão de crédito, débito (que horror!), em mãos aptas a pressionar teclas num TPA*?
Evidente que não!

A realeza da mediocridade que nos rodeia, sejam artistas pop ou políticos de antanho, visto e revistos na actualidade, vivem nessa esfera onde são os amigos que lhes pagam os vícios, a vida, a existência.
É assim.
É o poder.

Mas se o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente.

E é aqui que separo a lição de reconhecimento e familiaridade.
Sócrates foi esse prepotente que achou ter um cargo eterno. Um novo Ditador em plena Democracia, feroz animal (rugido de rato) impondo a sua verdade em prol da vontade que criara.
Tudo bem até 2011. Depois Troika e caos.

(a montanha chegou para destronar o seu conquistador)

Ainda revejo na alma a tortura jocosa dessa jornalista invocar o peso da perseguição que se seguiria aquando da sua derrota para Passos Coelho. Felizmente, para Sócrates, existe(m) (ainda) Galamba(s).

Para nós, os que não vivem em seu mundo, existe José Rodrigues dos Santos e imprensa capaz.
#somostodosVictorGonçalves

A questão Socrática não se alça no Mega Processo de intenções que o Mega Juiz Carlos Alexandre (firme e hirto como uma barra de ferro) formulou.
Ele existe nessa intersecção causídico-espacial em que um destronado feito símbolo de poder caído tudo justifica.

Operação Marques

Sócrates é justo esse Marquês, como o que nome deu à operação que o investigou.
Foi de uma equivalente Monarquia em tempos Democráticos onde tudo se corrompe e é apto a ser corrompido.
Acreditou na mudança quando o que todos fazemos é adaptarmos-nos.
Agora é vítima. (antes herói)
Será para sempre um Marquês, desterrado, exilado e odiado. Tudo até ser símbolo da branda Nação que políticos corruptos lembra e re-elege.
Será nome de praça, avenida ou rua.
Estátua em aeroporto, reflexo do que aí vem.

Uma montanha que pare ratos…

*TPA: Terminal Pagamento Automático

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