Argumento da discussão

Agora que termino de escrever um texto onde cito – erradamente – Churchill, lembrei-me de uma crónica, inédita aqui no afarpa.com, que escrevi a 15 de janeiro de 2015 acerca da argumentação que se tem e decide ter quando em forums público, ou dito assim, sempre que se contra argumenta com terceiros.
Na altura havia sido criticado pelo meu excesso de complacência relativa às crises de emigração que surgiam numa Europa a braços com complicadas crises económicas. Da minha visão permissiva à Esquerda ao aceitar que venham os refugiados, mas depois de ser Conservador no que toca a noções económicas de subsistência face aos mercados financeiros.

Eu um Euro-Etnocêntrico, perigoso capitalista de Esquerda Liberal..? (Não…)

Na verdade queria escrever um novo texto acerca desta minha incapacidade de terminar assuntos, mas sempre abrir novas portas e janelas do pensamento, escancarando ideias e desfazendo ideais, espavilando ideologias, numa resposta amiga ao Manuel Sousa.

Nunca pensei que um texto com mais de dois anos fosse tão certeiro.

Cidadão Estrangeiro.jpg

Gosto de argumentar, de discutir ideais políticos, mas sobretudo, de alicerçar pensamentos.
No Facebook, uma comunidade tão grande quantos os seus utilizadores, quase 500 milhões, com visões dispares e em conflito, é o que não falta.

Diferentes pessoas, com quem converso e estabeleço dialogo, têm visões muito distintas do Mundo e ainda que (uma maioria) o habitemos, e estranhamente o fazemos – pois é o que a lei permite – em países Democráticos em que a Liberdade de Expressão é lei, permite-nos defender valores muito diferentes pelos quais achamos essencial lutar e viver sem medo de repressões.

Claro que há repressões, mas não aquelas que matam da forma como vemos matar em outros países cujas ideologias políticas ou formas de Governação não são iguais à nossa.

Vivemos em Democracia e como se diz, é o mal menor. Penso que foi Winston Churchill quem o disse, seguramente citando alguma fonte erudita de pensamento já que a Democracia, forma de governação, vem desde os tempos antigos da Grécia.
Ainda assim e mesmo que uma grande percentagem do Mundo não viva, ainda, sob o mesmo sistema de governação, algo indica que este é o melhor ou mais fiável e correcto sistema a seguir. Lá está, permite a livre escolha.

Mas ter visões do Mundo é algo que está, intimamente, ligado com o lugar onde a lotaria da nascença faz que nasçamos. Eu tive a sorte (sim, sorte) de ter nascido em Portugal, um país Europeu, com uma grande História de Conquista Expansionista e Colonial.

Tenho, aquilo que me foi dito ser, uma visão ‘Eurocêntrica’ do Mundo. Óbvio!, vivo onde se encontra (ou encontrou) o farol da cultura Ocidental, a Europa.
Apesar disso, e como o Mundo é Global (já o é há uns anos, mas com as novas tecnologias, mais), basta entrar na internet e acompanhar um pouco do que se passa fora da Europa para, mesmo deturpadamente, ler e ver, aquilo que outras culturas e formas de vida têm para nos oferecer.
Só que a Europa não é mais o centro da Humanidade, ainda que, estranhamente, muitos dos olhares do Mundo para aqui se virem.
Mas isto pode ser a minha visão deturpada por viver na Europa e de só ter conhecido a grande maioria dos países do dito Mundo Ocidental.

Ainda me foi dito que, pelo facto de viver aqui na Europa, sou ‘Etnocêntrico’, nessa clara alusão que os Europeus têm uma forma de ver a vida do seu ponto de vista, superior, com um preconceito, quiçá, racial, e que com isso, até, pode estar implicada uma segregação de quem é diferente de “nós”.
Pois bem, a cultura Europeia, salvo erros históricos, sempre foi de inclusão e a Portuguesa é tradicionalmente reconhecida por isso.

A Europa recebe no seu seio milhares de emigrantes vindos de outros países, muitos dos quais procuram aqui um porto seguro dos seus países e conflitos.

É o ideal? Não, e nem sempre há condições para todos ou o melhor tratamento. As diferenças não são aceites por todos, nem de forma imediata ou imposta. Ainda assim, comparativamente com outros países ou comunidades, a Europa distingue-se pela sua permissividade, por vezes até em excesso.

Durante o diálogo surgiu a questão, já directamente a mim dita, de que eu seria neoliberal, nessa senda dos capitalistas encapotados que se vendem ao mercado que melhor paga.
Tenho noção perfeita que essa é, quem sabe, uma das consequências mais reais daquilo que a crise económica despoletada nos EUA em 2008 produziu aqui na Europa e os sucessivos Governos estão a aderir a esse ideal, mas eu não vejo com os melhores olhos essa visão de Mundo.
Entendo-o como o ‘mal necessário’ à sobrevivência. E isto não é abdicar de princípios. É ser maleável para aceitar novas imposições para sobreviver.
Ninguém gosta de passar fome, nem mesmo os idealistas.

Só para que fique claro, não sou filiado em nenhum partido político, apesar de me definir como sendo de direita, um Conservador Liberal.

Por último foi invocada a velha questão que bombardeia e mina o pensamento de muitos e que será, para sempre, uma epidemia nas mentes dos grandes pensadores que querem justificar no passado os erros do futuro.
Dizer que os erros actuais que vivemos se devem ao Colonialismo, e com isto à exploração dos Escravos, é um facto que, apesar de histórico, verdadeiro e inalterável, não pode servir de justificação para a culpa (se culpa há?) para as condições de vida que levamos.
Obviamente que aos olhos actuais, a ida Expansionista Europeia em Conquista pelo Mundo dizimando culturas e raças, impondo fés, adulterando paisagens e escravizando povos, foi uma das maiores atrocidades que, porventura, ocorreu na Humanidade. Mas, felizmente, já passou. Ou pelo menos, no ‘nosso’ Mundo Ocidental, essa ideia do escravizador já desapareceu.
Claro que deixou as suas marcas. Uma tremenda miscigenação de pessoas, culturas, raças, credos, pessoas, tudo. Portugal e Brasil são disso um excelente exemplo.

Há que ver isso com uma pérfida maldade? Eu penso que não, pois ao se ficar preso nessa visão esclavagistas, não se cria o espaço de ‘perdão’ para a ocorrência de novas Liberdades de Expressão.
O Mundo Ocidental é ainda um Colonizador, verdade, eu admito e assumo as culpas (se culpas há para assumir), querendo ‘colonizar’ o Mundo com a Liberdade que a Democracia traz.
Os Estados Unidos da América, defendendo seguramente os seus interesse, têm libertado uma série de países oprimidos.
Tem funcionado? Nem sempre, mas com o tempo, penso que tudo se ajeitará.

Como se diz aqui em Portugal: ‘Roma e Pavia não se construíram num dia.’

Eu sou tremendamente complexo, argumento e defendo as minhas ideias. Tenho a última palavra? Não, nunca, pois espero sempre que a vida me ensine o próximo capitulo, na incerteza do que virá.

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