Síndrome, Sintoma, Cultura

O relato do estupro de uma adolescente de 16 anos por 33 homenspublicitado em tom de vangloria pelos próprios em rede social -, naquilo que tudo indica ser uma vingança por parte do seu namorado, despoletaram o melhor e pior que há no Ser Humano.

A violência gráfica do ocorrido, primeiro pela inconsciência pessoal da dita vitima, depois pelas imagens de gozo com que os supostos violadores a denegriam, tornaram-se suporte para uma onda de choque e apoio contra a forma como a Mulher segue sendo objectifica pelo Homem, por uma Sociedade (ainda) Machista.
Não só o horror do facto reportado numa amplificação mediática, como a mistura entre política, destino e conflito na Sociedade actual Brasileira, contribuem para que tudo esteja a tornar proporções coerentes com a divisão ideológica que o país atravessa.

O Brasil actual encontra-se não só num confronto político exacerbado entre os valores da Esquerda e Direita, mas entre quem se corrompe, foi corrompido ou está prestes a corromper.
Tudo se tornou numa síndrome, sintoma e cultura de algo aparentemente maior.

Dito isto, e ainda que as Entidades Públicas, afastadas ou interinas, tenham falado a uma só voz, a Sociedade demonstrou como a politização do tema é ainda vigente.
Se por um lado surgiu desde logo um movimento social de repúdio ao acto, ocasionando manifestações de condenação contra o acto bárbaro e sem justificação plausível, por outro vem confrontar a Sociedade com aquilo que alguns movimentos, maioritariamente feministas, apelidaram de “cultura do estupro”.

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Façamos um rápido parêntesis: o estupro não é uma cultura – pelo menos não na cultura Ocidental e/ou Brasileira.
Estupro, coito forçado ou violação, é a prática não consensual do sexo, imposto por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos, sendo um crime que vitime ambos os sexos, as mulheres são as vítimas historicamente mais atingidas, mas que de cultural apenas tem o sucessivo alimentar político em torno do “feminismo vs machismo”.

O que ocorre, a meu ver, é uma latente falta de educação e ensino base na Sociedade Brasileira.
Baseio este facto na premissa de um dos grandes ditames do segundo mandato da Presidente Dilma ter sido a educação, sendo que esse princípio sempre foi um dos grandes pilares do Partido dos Trabalhadores. Visto o que se passou, a Pátria Educadora foi e é apenas um slogan de campanha, nunca posto em prática. A educação, como já antes defendi, é algo que deve vir de casa, dos valores de uma tradição familiar – que nada têm que ver com conservadorismo político – enquanto o ensino é algo que se relega às Escolas (Públicas e/ou Privadas), cabendo a formação do individuo à sua experiência de vida e ao exemplo próximo que a Sociedade lhe transmite.
Apontar o dedo aos praticantes de um crime, ainda para mais passional onde se identifica um padrão, não resolve em nada uma questão subjacente à própria Sociedade que o ajuda a sustentar.

Este caso, grotesco, serve para que a Sociedade do consumo viral, da inconsequência improcedente, se reveja nela mesma e não fique prisioneira no seu velho apanágio de dizer “isso é cultura”. Não, isso é perversão, sempre foi e sempre será.

O Brasil, o Mundo Ocidental que agora olha para este caso como uma excrescência das suas virtudes, deveria parar e olhar para aquilo que tem vindo a desestruturar como sendo um valor tradicional.
Síndrome de amor, Sintoma de ser amado, Cultura do sexo.

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