Nonada

Eu Vana regresso cangalheira na memória dependurada da militância – Moço só Sinhô, nada de mais que um olhar jagunço desse que se quer protector do direito do trabalhadô! – feita criança moça mulher guerrilheira da Pátria Brasileira. Se’é expurgo inusitado mental, feito estoque ventoso da propina da campanha que nos trouxe até ao estado atual, sei não meu Povo, mãe Dilma se guarda no Palácio até a Advocacia Geral se unificar e demonstrar que minha índole é pura, escorreita e de vocês apanágio moral.
Sou sana, insana com quem me engana – enxoto a todos os que de mim mal falam, enxerto os que mais me amam, mais os que de nós mamam – “Falei que sou eu irmã Vana?” Mas serei Santa Ó meu alguém que me responda? Nonada! Gritos de Golpe são pouco para que o que hoje se passa Senhores. O Brasil que atrás desses que por trás dos demais me querem tirar da rampa que hoje desço nada mais que são a representação daquilo que me fez ascender a tudo o que a Demo… – que Diabo é esse que me toma o corpo, que anda na rua, no meio do redemoinho? – …crassia, crasso… erro crasso, ninharia nada. Nonada, não nada. Tudo o que fiz foi nada a favor da Nação que me elegeu.
Mulher Sapiens sou, repleta da mentira que da porta de casa pra fora me faz dizer o enredo que esse meu Diadorim me ensinou e eu complementei.
Se é Lula lá, eu sou Dilma cá. M’empeachem, me façam exemplo do que a cor de Collor um dia nesse passado apoiado por nós também foi.
Nos façam temer que o Brasil é melhor sem PT.

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Texto inspirado em Grande Sertão: Veredas do magnânimo escritor brasileiro João Guimarães Rosa. A expressão Nonada, introdução do capitulo único da obra, ao contrário da crença popular – e uso interpretativo que faço com correcção – não é um somente ‘não nada’ mas antes ‘ninharia’. A gramática criativa de Guimarães Rosa era povoada por um incrível vocabulário da língua portuguesa, por vezes criado, recriado ou, na maior parte dos casos, resgatado.

Escrevo hoje, dia da votação do afastamento de Dilma Rousseff – o seu impeachment -, um texto em tom tão brasileiro, popular e erudito, misturando factos com ficção, num contexto de razão, lógica e culpa, admissibilidade e rechaçamento de responsabilidade pelo ocorrido. Se em Grande Sertão: Veredas a personagem principal, o jagunço Riobaldo, vivia essa realidade dupla do princípio da reversibilidade, entre o certo e o errado, na realidade que ficciono, Dilma vê-se entregue a discursar – no seu estranho jeito – de transformar a Democracia em crasso erro, a admissibilidade copiosa de culpa.
Nada é reversível, mas para tudo há tempo de pedir perdão.

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