Travessia para lado nenhum

Por volta do ano 39 da nossa Era, o terceiro Imperador Romano, Caio Júlio César Augusto Germânico, numa conseguida tentativa de emular o passado Histórico do Imperador Persa Xerxes, constrói na Baia de Nápoles, mais especificamente na cidade portuária de Baiae, aquela que ficou conhecida como a ‘travessia para lado nenhum’.

Esta ‘travessia’ era constituída por uma serie de barcos propositadamente afundados, e sobre os quais se construiu uma via de comunicação improvisada por forma ao Imperador atravessar da cidade de Puteoli até as ricas mansões de Baiae e mostrar aos seus habitantes, os burgueses Romanos da época, que não era mais o seu poder monetário que mandava, mas sim o seu poder imperial que tudo podia fazer, até atravessar as águas, numa ‘travessia para lado algum’. Ateou fogo, roubou, destruiu e destituiu as Famílias representativas da Tradição do poder passado.
No dia seguinte regressa vitorioso com os seus ‘despojos de guerra’.

Este gesto de resolução tornava claro que naquele momento, nesta nova forma de Governar, o poder Familiar já mais não era uma Tradição a ser seguida, e como tal, um novo poder se sobrepunha como nova forma de construir caminho, mais popular e de agrado do povo oprimido.

Evidente que o fogo de âmbar que se viu arder nesse longínquo ano não faria adivinhar a grandeza e eloquência do acto de se construir uma travessia para lado algum, pois o terceiro Imperador Romano, cuja alcunha se deve ao nome que a guarda Pretoriana do seu pai lhe deu pelas pequenas botas (caligae) que usava em criança, não era outro que o sanguinário Calígula, e a sua demonstração populista de poder, a forma de destronar a tradição Familiar Romana na qual Roma se ergueu.

1400.jpg

Na transição de ano, entre 2014 e 2015, enquanto os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito ao Banco Espirito Santo, Império Familiar caído em desgraça, não continuam, fica essa dúvida que nos assiste: será que não estamos todos a assistir à construção de uma ‘travessia para lado nenhum’?
E se sim, para onde?

Lembrar apenas que após a sua ‘travessia’, Calígula, seguiu um padrão de ‘loucura’ em que se ‘Endeusou’, e quis criar um culto à sua imagem. E foi justo quando, ao desviar o real propósito Senatorial de Roma, pretender relocalizar a capital em Alexandria, Egipto, que a insurgência daqueles que se diziam seus apoiantes o traíram e assassinaram, justo no dia em que completava 1400 dias de Governação Imperial.

Durará a resolução 1400 dias antes que alguém a traia ou outro alguém, rumo a lado nenhum, seja assassinado?

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