Icebergues em rota de colisão

A Arquitectura e a política sempre andaram de mãos dadas. Verdade consequente das lembranças arqueológicas do ‘nosso’ passado.
E os três poderes instituídos evoluíram, na sua consideração arquitectónica, entre as Casas que defini, Homem, Povo, Poder, para a existência daquele auto-intitulado quarto poder.

Aquilo que aqui relato, sobre o dita ‘fortaleza de ferro intocável por Deus’, é uma forma ardilosa se ver a ver a vida entre o lado dos vencedores e vencidos, sem se saber bem em que lado do campo de batalha ficou.

A verdade é que a ‘fortaleza de ferro’ continua a afundar.

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A 12 de Abril de 1912 a Sra. Emily Ryerson estava sentada na Sala de Chá da Zona de Recepção do Deck D do Titanic quando ouviu a conversa entre o passageiro Joseph Bruce Ismay e o Capitão Edward J. Smith.
Smith era o Capitão em fim de carreira na sua última viagem, viagem essa que era inaugural para o novíssimo navio da construtora Harland and Wolff.
Ismay era o filho do Presidente da White Star Line, representante a bordo, dos proprietários do barco que, dois dias depois, afundava nas frias águas do Atlântico Norte.

O interessante da conversa que a Sra. Emily Ryerson ouviu prendia-se com o conteúdo da mesma. Nela, Ismay dizia ao Capitão que acendesse as últimas caldeiras do navio e acelerasse à velocidade máxima por forma a vencerem a ‘blue ribbon’ pelo menor tempo numa travessia Transatlântica.

O Titanic afundou a 15 de Abril de 1912, eram 2:20 da manhã.
Dos 2223 passageiros, 1517 morreram no naufrágio.
A conversa que a passageira da primeira classe escutou foi peça chave no julgamento de Ismay, e mesmo sendo a sua veracidade contestada, o mito virou facto, e o julgamento público sobre o ‘passageiro’ responsável foi total.
Ismay sobreviveu, mas com isso, sentenciou-se à morte.

Pior que o corte de um icebergue, o golpe fatal de uma conversa.

A 23 de Julho de 2012, uma segunda feira, Francisco Pinto Balsemão, ex-Primeiro Ministro Social Democrata Português, patrão do Império Impresa, apresenta a sua saída do cargo de Direcção do seu grupo.

No seu lugar coloca Pedro Norton, como CEO (em português Director Executivo), enquanto Balsemão, que continuará a ‘jogar golfe’, fica como Chairman (cargo mais elevado numa empresa, também designado como ‘porta-voz) numa posição mais recatada, mas ‘sempre presente’.

Nessa semana, algures entre a segunda dia 23 e a sexta 27, almoçou, como de hábito, no Restaurante Pabe, na Rua Duque de Palmela, 27A, frente ao ‘novo’ Hotel Aviz.
O Restaurante, com decoração sombria ao estilo clássico de um Pub Inglês, da autoria de Pedro Leitão, tem uma mesa numa alcova que é, facto conhecido, a preferida de Francisco Pinto Balsemão.
Nesse, referido, almoço, sentado na mesa ao lado, na esquina à direita, por baixo de um relógio antigo, parado no tempo, outra mesa corrida, onde um banco de espaldar faz costas com a parede, estava eu, Francisco Moura Pinheiro, sentado a almoçar em simultâneo.

Da mesma forma, tal como referi o exemplo da Sra. Emily Ryerson no malfadado Titanic – em que uma conversa ouvida, de escutada passou de mito a facto, e esse facto ficou para a História; posso dizer que, sem pertença alguma, também ouvi o conteúdo da conversa que o ‘novo’ Chairman do Grupo Impresa tinha com o seu grupo de convidados.

Quem sabe seja oportuno agora revelar quem era esse quarteto que se sentava na alcova preferida de Balsemão.
Eram eles, além do recém ‘novo’ CEO do Grupo Pedro Norton, o Director do Jornal Expresso Ricardo Costa, e o Sub Director de Informação da Sic José Gomes Ferreira (também jornalista residente de economia).

Podia dizer que os mitos são factos, e que esses factos são História. Ou que a História é mera Estória, e que eu sou apenas mais um inconveniente que estava na hora certa no momento errado, ou vice-versa, ou mesmo versa-vice, em paralelo alternativo de concordância da teoria conspirativa em que se alicerça o mundo das coincidências.

Pois bem, o conteúdo, não todo, mas na sua maioria, entre os quatro convivas – e quero deixar claro que a ‘alcova’ projecta o som de forma clara; foi justo as linhas editorias a seguir nas relações quer do Jornal Expresso, quer dos canais da Sic. Deixando claro que as mesmas, não só passam pelos seus directores de informação, óbvio, mas também pelos seus superiores, entenda-se o CEO e, claro, Chairman.

A mudança na direcção do Grupo tinha como princípio a reestruturação da empresa por forma a melhorar a sua independência de informação, questão que, depois da conversa que ouvi – inadvertidamente, verdade; fica claro que, a informação prestada na Sic não é, nem nunca foi, independente, uma vez que passa pela mão privada de um grupo de pessoas que decide a sua ‘independência’. A imparcialidade é (e sempre será) parcial.

A Sra. Emily Ryerson podia não ter ouvido nada, mas o Titanic afundou na mesma. A Sic e a sua independência, é só uma questão de tempo.
É que o icebergue está em rota de colisão.

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