Máscaras de Facto e Ficção

Agosto de 1669 previa-se o início de um Verão quente para Eustache Dauger.

O Marquês de Louvois, Ministro de Louis XIV, mandava prender o valete em Calais, e que o mesmo fosse levado para a carcel em Pignerol, à época Francesa, actualmente território Italiano.
A sua cela deveria ser uma sala fechada sobre ela mesma, cercada de portas, encerrada por outras portas, por forma a ninguém ouvir nada do que o preso pudesse dizer. Ele, Dauger, deveria apenas dizer o essencial e reduzir a sua comunicação às necessidades básicas do Ser Humano.

Por fim, para que mais ninguém o visse, ou lhe reconhecesse a face, uma máscara, em veludo negro, lhe fosse colocada na cara.
A realidade converteu-se em mito, e de tecido passou a ferro. Eustache Dauger tornou-se o Homem da Máscara de Ferro.

Mas como a História nem sempre se faz dos factos que por detrás dela se escondem, a identidade de alguns ganha o estatuto de mito, quando as verdades dos factos irrefutáveis são a lei que prevalece sem a lírica que a escrita romanceada lhe traz.
Desde Voltaire a Dumas que a máscara passou do valete para a Coroa Real, e a intriga dos Mosqueteiros a ilusão dos factos que o mito vendeu como verdade.

Na iminente queda do Banco que uma Realeza não viu, mas que a República se fez cliente, e que o Regime apoiou, a sala das portas que se viram fechar no silêncio guardaram um Homem de rosto coberto por uma máscara.
A sua verdade, se verdades as há, numa ilação sobre o que pode vir a ser um mito, guarda a ‘resolução’ para as perdas de uma Nação.

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a moral da desonestidade

No momento que se segue, entre as figuras que se auditam, escrutinam e inquirem, aquela que usa a máscara não se sabe quem é.
Pode estar presente em Espírito, em poder, no negócio ou na supervisão.
Pode estar onde a culpa diz não ser a razão de ser culpada, ou sobre quem diz nada saber.
Tudo, até agora, pode.

Fica apenas a lembrança da História, não do mito, da máscara de veludo negro usada por Dauger, falecido a 19 de Novembro de 1703, já sob o enigmático nome de Marchioly.
Esquecido no facto, lembrado na ficção.

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