“The death of a beautiful woman is, unquestionably, the most poetical topic in the world.”
Edgar Allan Poe

Revi o documentário de 2017 78/52. Nele cineastas e cinéfilos examinam as 78 sequências que em 52 cortes Hitchcock usou para criar a icónica, e aterradora, cena do duche no filme “Psycho”. Ali se revela a citação introdutória; ‘a morte de uma mulher bela é, inquestionavelmente, o tópico mais poético no mundo’; a Mãe de Norman barbaramente esfaqueia Marion enquanto ela, no mais famoso duche da 7.ª arte, expia os seus pecados sabendo que deles não tem saída.

A intriga é brilhante. Não só a personagem principal é morta a meio da narrativa, como personagens secundários, sem introdução prévia, tornam-se o foco das atenções. O clássico mcguffin Hitchcockiano.

Para quem nunca viu o filme, ou não leu o romance de Robert Bloch no qual se inspira, a ‘Mãe’ é na verdade o alter ego que habita Norman e, na senda desse assassino que nele vive, justifica os crimes que ele – reprimindo a sua sexualidade – comete.
Termina com Norman, Mãe no controlo, olhando-nos profusamente, narrando:
“They’re probably watching me. Well, let them. Let them see what kind of a person I am. I’m not even going to swat that fly. I hope they are watching. They’ll see. They’ll see and they’ll know, and they’ll say, “Why, she wouldn’t even harm a fly.”

De facto os assassinos de uma mulher bela são, inquestionavelmente, o tópico mais poético no mundo, nem mal a uma mosca fazem. Ou não era esse a premissa? – pergunto-me ao ouvir Ana Gomes incriminar Isabel dos Santos:
“É bonita, esperta, bem educada. Mas também é uma tremenda ladra do seu povo.”

Num ápice assisto a excêntrica Socialista tornar-se na Mãe assassina que toma as rédeas deste Norman, a investigação internacional do momento: Isabel dos Santos, a mulher bela a abater. O culpado mcguffin de uma história onde as moscas se deixam quietas, mal nenhum lhes ocorrerá.

A perseguição está num ápice:
Pressões, detenções, afastamentos, negas e recusas. Parece que até um suicídio ocorreu em nome da Princesa de Angola.

Vejamos Angola, política de terra queimada, negra e suja desse petróleo de riquezas e diamantes sangrentos onde nada deixa rastro. Ou deixa?
O perene Futungo encontra caducidade nesse confusão entre um Pai Presidente e um Presidente Nepótico.

O Governo “não era presidido pelo meu pai, era presidido pelo Presidente da República. Infelizmente, que eu saiba, lá em casa ele só preside ao almoço. Porque é importante fazer esta distinção. É preciso distinguir a pessoa da função”

E no que toca ao dinheiro público existiu distinção? ‘There are no free lunches!’

Mas nem Isabel dos Santos é de boa rês, nem Ana Gomes flor que se cheire.
Não se ande a embandeirar em arco as palavras de uma contra a outra que muita tinta ainda vai rolar nestes novos leaks sob o alto patrocínio da Sic, essa antes patrocinada pelos dinheiros Angolanos. Lembremo-nos do seu antigo slogan; “Estamos juntos!” não era?

Agora estão dois procuradores da República juntos em Lisboa a decidir o futuro deste imbróglio.

Por ora é melhor não atacar Governadores, instituições ou posições de terceiros envolvidos que estejam expostos politicamente, não vá o Regime ser colocado em causa.
Aval Governativo em negócios privados? Aprovação Presidencial? Memórias de 2016. Em 2020 o que é da Justiça à Justiça, a Política à Política.
A hipocrisia aos hipocritas, onde as moscas são as mesmas.

A psicose de um crime anunciado.
Rápidas sequências de cortes editados.

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