Esta é a segunda semana seguinte que vejo uma imagem que publico ser censurada pelo Facebook.
Compreenda-se, não se trata de um conteúdo escrito, uma opinião que possa ser ofensiva ou desruptora face à Sociedade contemporânea. Antes uma imagem que vai em contra a política de higienização histórica que as Redes Sociais hoje em dia colocaram em prática.
Se a primeira imagem que publiquei e vi bloqueada – uma foto jocosa de Stalin e Hitler – logrei republicar ao insultar visualmente os representados com um ‘Fuck You’, já a segunda imagem é de tal modo caricato o bloqueio que fiquei dois dias sem puder publicar conteúdo nesta minha ‘afarpa’.

Então não é que os algoritmos facebookianos viram uma violação de terrorismo numa suposta bandeira do DAESH quando a mesma não passa de uma sátira com estimuladores sexuais?

Pior, creio que este bloqueio já havia sido noticia no passado e sanado então. Ou então, como escreve o activista Sírio Hadi Al Khatib no seu Op-Ed no NYT, “Sob pressão para remover “conteúdo extremista”, as plataformas estão a eliminar evidências vitais de direitos humanos.”
No fundo, a inteligência artificial está a apagar o nosso legado Histórico, a memória e a reconciliação que temos com o nosso passado. A leitura que dele retiramos para construir um melhor futuro.
E aqui chegamos à política. Aos ‘Viva a diferença!’ que tenho lido um pouco por toda a parte acerca de Joacine Katar Moreira e o incomodo que a sua filosofia anti-ideológica demagógica provoca face ao extremismo que André Ventura trouxe mas não parece surtir maior efeito que se ver fora do tempo de antena público na RTP3.

ERASE.jpg

Acredito no efeito Lavoisier: para cada acção há uma reacção. E até mais, consentâneo nessa regra, subsequentes reacções ocorrem sem se saber bem o resultado final.
O caos existe afinal, só que ordenado em princípios que nos regem por motivos de força maior, como a passagem do tempo cronológico.
Esse, ao contrário da canção, ainda não voltou para trás.
Só que na cronologia do tempo se permite compreender a matéria da qual nos formamos e se constrói o pensamento no qual se alicerçam as nossas verdades.

As parangonas escrevem que André Ventura, o securitário da direita identitária, até já criticou o ‘populismo penal’ e a ‘estigmatização de minorias’ na sua Tese de Doutoramento“Para um novo modelo de sistema de justiça criminal na era da criminalidade globalizada: os grandes desafios para a lei de processo penal” – em 2013, fazendo-o cair em contradição face ao que o Chega representa, esquecendo que a sua origem passou pela Social Democracia apadrinhada por Pedro Passos Coelho.
Já o silêncio noticioso de opinião não deixa de confranger o debate entre Daniel Oliveira e Joacine Katar Moreira nesse achega para ver quem se rebate num altar extremista à direita quando ambos são (será?) forças políticas à esquerda.
Mas Joacine fez-se a mais nova bete noire na sua eloquência tartamuda acompanhada de vilipendia histórica pelos murais de São Bento.
Onde a mensagem política esbarra mais nas saias do assessor que na ideologia de um partido dito ‘Livre’.
Onde a criação parece se virar contra o criador e de Rui Tavares nem sinal.

E que sinais esperar de um país feito de telhados de vidro onde os sensivelmente idiotas que por aqui habitam julgam os seus pares pelos berços dourados que escolhem – por inerência (óbvia) – nascer?
Ou a ânsia de Liberdade e autonomia, nomeadamente do voto, é extremismo aceite à esquerda apaziguada do PAN e apedrejada da cristandade démodé que o Observador serve requentada?
Viva a diferença!, ou não?

Entre a folia do êxtase e a estupidez que dela se gera há ousadia do Primeiro Ministro garantir ao camarada Jerónimo essa idiossincrasia política que o Partido Socialista se formou à Esquerda do hemiciclo quando a verdade Histórica é sobejamente conhecida ao ponto do mesmo se formar para destituir o Regime Comunista que se insurgia.
Mas que importa se essas evidências de direitos humanos estão a ser consequentemente censuradas por esta novilingua que uniformiza a mentira e elimina a verdade.

Vida a diferença! Dos outros, os que podem.

Nota:
Após dois dias de bloqueio consegui reaver a minha conta de facebook, apelar ao conteúdo censurado e o mesmo ser registado pelo que é, uma sátira sem malícia.
Vivemos os dias da pós verdade, dos factos alternativos, a realidade de Steve Bannon. Pior, aplaudimos.
Por isso o eleitor franja diz chega.

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