Reedição

Como escrever um texto sobre o que se passa no Estado de sítio que é o Brasil sem lhe adicionar algo que já tenha sido adicionado? Pois bem, não se adiciona, faz-se de uma prévia Manipulação, Reedição.

Não se creia que o cronológico é sinónimo de consentâneo ao tempo que com o tempo passa. Por vezes o cronológico é tão diacrónico que o retrocesso é sinónimo do retraso Humano que se sustenta, se dá nota, faz-se aviso e se espera um diferente fim em negação da repetição passada.
Mas se no texto, agora reeditado, substituir a némesis Europeísta xenófoba pelo candidato à Presidência do Brasil, ver-se-á que qualquer déspota vence baseado numa narrativa onde a compreensão e apreensão se constroem na presença do medo e ausência do pensamento lógico.

(…)

Numa conversa entre estranhos conhecidos, pausa laboral, falávamos acerca do populismo estudado que _________ usa para lograr o seu posto fundamental na política _________, e de como tudo na sua vida – nomeadamente depois da ruptura com _________– é um statement de intenções onde a sua crença política não coincide com a sua verdade pessoal.
Para quem viu a sua entrevista ao _________, verá que o ensaio mimico de resposta-feita para estabelecer uma entrega oportuna dirigida a um público alvo é óbvia.
_________ é substancialmente mais inteligente que _________ porque sabe não acreditar naquilo que propõe, mas quer antes chegar onde os seus eleitores a querem.

Nesse instante, e porque a similitude da obviedade assim o merece, fiz o paralelo com a ascensão de outro manipulador em causa própria, onde a vertente maniqueísta fez o eco que deliciou quem nele viu o espelho de um futuro melhor.
Falo, evidentemente, de Hitler.

Como mote introdutório acerca da manipulação, velando uma conversa cujo fim não chegou, mencionei a minha avó paterna que na sua juventude, ela nascida em 1926, encontrou – nesse maniqueísmo – ecos de algo bom que Hitler propunha numa Europa que eu designei de “suja”. Sem que a exposição da ideia pudesse avançar acerca da concepção do bem e do mal que essa projecção de um futuro melhor – velada ia a Solução Final – o termo ‘sujo’ pareceu tão depreciativo a um dos meus interlocutores que essa concepção histórica de um passado, nem ele tão longínquo, lhe pareceu – quem sabe – manipulador da minha parte.
De um momento para o outro, sem que a lógica da razão a isso o assistisse, o sujo servia de arremesso lacônico sobre uma limpeza étnica sobre a Comunidade Judaica e não sobre a desorganização que reinava numa Europa em braços com os resquícios de uma primeira grande guerra ainda com muito por resolver.

A minha compreensão tornara-se plena apreensão, como se num jogo de sombras estivesse. Ou era certo ou errado, Esquerda/Direita, Comunista ou Fascista, uma divisão entre aspectos opostos e incompatíveis.
Nesse instante compreendi o porquê da estranheza dos que me ouviam referir que a Europa havia sido ‘suja’ e nisso mencionarem os Judeus, assim como compreender o porquê da minha avó, uma miúda dos seus 13 anos, ter encontrado ecos capazes em Hitler para organizar a Europa de uma ‘sujidade’- desordem – sócio económica advinda do Tratado de Versailles.
Hitler, como _________, são líderes carismáticos que falam para o mínimo denominador comum, vendendo não a sua crença mas aquilo que um eleitor sedento de vontade de mudança, face a um paradigma de estagnação, pede.

Quando, em tempo de eleições, ainda a Geringonça não se supunha – aos olhos do povo – formar, usei num texto parte de um discurso de Hitler, a 30 de Janeiro de 1937, perante o Reichtag, alterando-lhe as referências de uma Alemanha próspera por um Portugal melhor. O resultado é, mesmo que assustador, brilhante.
A política é, toda ela, manipuladora.

Hitler manipulou a Alemanha e grande parte de uma Europa seu Eixo aliado. E _________, quem manipula?

Not Him.jpg

Dá que pensar, pois se ao substituir _Le Pen_ por _Bolsonaro_, abrindo a porta para que o que afinal existe é uma linha em branco a ser preenchida com qualquer extremista que responde ao primórdio da manipulação, aqui revista em reedição, afinal onde reside a falência democrática?
Democracia nunca passou do direito da maioria governar sobre a maioria derrotada. Na sua inversão reside o logro que aqui nos trouxe.
Porque se o Comunismo se tolerou até apodrecer, onde ficaram aqueles que se apelidaram de fascistas ad nauseum?

Nota:
Deixo claro que, e mesmo mencionando a Senhora minha Avó, Fernanda Pires da Silva, como personagem de uma narrativa onde a sua vida se cruza com uma opção ideológica acerca do Nazismo de Hitler, que ela jamais seguiu os seus pensamentos políticos.
Se porventura algo de bom adveio dessa experiência em jovem – relembro que ela teria em torno de 13 anos – foi compreender uma lógica de “Ordem e Progresso”, lema que adorna a bandeira do Brasil, país para onde seguiu rumo e fez vida. (noção cruel nesta reedição actual)

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