forma exemplar

Creio já ter contado este episódio da minha vida, mas dada a presente situação creio que a sua repetição assenta que nem uma luva para o predicado da questão.

Anos atrás vivi em Madrid, finda adolescência e princípio da vida laboral o pós universitário quando iniciei um estágio em Arquitectura. Convenhamos que a minha situação financeira e background familiar assim me o permitiram e, como me era dito, era o filho rebelde de boas famílias.
Por me dizerem, ou no caso suporem, o facto, um dia uma amiga me perguntou porque, sendo eu tão liberal na postura, homossexual assumido, não era de esquerda em oposição a ter valores considerados de uma direita mais tradicional?

Para quem aqui me lê e segue sabe que o equilíbrio de forças que me define é justo saber ponderar entre que valores conservar e onde ser liberal. Facto esse que, sobre muitos pontos de vista, nomeadamente no que toca à moral e ética, me reveja mais próximo do centro direita que da esquerda, sobretudo daquela que abomino, a caviar.

A minha amiga, porventura porque a narrativa escrita de livre consulta que é a’farpa ainda não existia, ficou surpresa, mas acabou por descobrir que, independentemente a eu não aderir à Esquerda per se, não descarto toda e qualquer amizade – até política – que venha por bem.

Diverte-me (o que antes me enjoava, depois espantava e em seguida dava repulsa) é a permanente contradição que vejo nesta Esquerda Caviar.
Empenham o Moralismo Ético da ‘forma exemplar’, mas vivem do “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”, porque eu te apanho, não vá a imprensa me apanhar.
Hoje apanhou.

Quando escrevi a crónica Cartazes em Setembro de 2017, ilustrando-a com o “trémulo olhar de verde tingido de uma ascendência fina e chinela popular”, deixei no enlace o desígnio que agora se vê:
Vivemos é nos anexos do Socialismo preambular:
“Abrir caminho para uma Sociedade ‘de rostos familiares’”

Ricardo Robles, protagonista do escândalo do dia a ser esquecido amanhã, apenas se torna em mais um dos rostos familiares.

Ainda não há muito tempo o Primeiro Ministro foi apanhado no ‘carrossel da especulação’ que ambos condenam, e daí nada saiu.
Ficou apenas a forma exemplar como nos gostamos de governar. A ver os outros vender pobreza enquanto comem caviar.

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