A Casa do Povo

Dizer que a Democracia falhou por causa de um inepto Primeiro Ministro que se aprisiona numa incapacidade comunicativa sobre sentimentos é um chavão simplista. Na verdade as Democracias não falham quando o seu voto se aprisiona para responder pelo que é designada como a vontade maior de um Povo face aos vitoriosos das eleições.
Farpas à parte, a Casa do Povo é pouco dele e mais refém de quem vive isolado nos seus Passos Perdidos e fora dessa realidade que um Presidente fez tão dolorosamente presente em afectos d’um País ardido.

Poderia ser raso e ir em busca desse argumento paralelo e dizer que são os sucessivos Governos que nos falham, as reformas que não foram feitas, as gavetas dos boys onde a licitação foi para quem mais próximo do poder se amistou e fez carreira oportunista. Mas isso seria dizer que a tal Democracia falhou.
Não foi ela foi o Estado, em estado de sítio, que sucumbiu a esse enredo feito ladainha que fere de morte um Portugal Europeísta, La Movida ochentera com verve Lusitana, onde o tudo era um “Enterior Desquecido e Ostracizado” humorístico mas penosamente real.

Os círculos eleitorais transformaram-se em eleitoralistas. Os deputados da Nação vivem sem noção da mesma, eleitos nominalmente para cumprir dever de um lugar que já faz tempo que ocupam.
A realidade desfaza-se, a fantasia da jogada – a política de costumes sem savoir faire – impera e todos, fora dela e distantes nessa urbanidade cosmopolita denominada Capital do Império, sofrem com a arrogância de quem nela habita.

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Exemplo máximo, visto e revisto, o actual Primeiro Ministro, o apto inepto.
O seu distanciamento interpretativo sobre a pessoa e o político, como se nele não habitassem os dois quando os sentimentos nos batem à porta para saber interagir, são a fractura que faz dele um novo Sócrates em risco iminente de despotismo.
Pior, toda a sua entourage é Socrática como ‘il faut’, numa dilacerante memória daquilo que aqui nos trouxe, reverso de bancarrota em tom populista para dar em ascensão económica e falência financeira.
Não se estranha que as vozes da traição agora se afastem dele como todo um Povo que não se revê nessa fictícia vitória parlamentar.

Mas ter escrito o que escrevi é aproveitamento político. Pensar que a articulação da morte para surtir efeito de alteração e mudança no estagnado que tudo anda parece um busca culpas onde ela se alicerça nesse pedestal cancerígeno que é a Assembleia.
Pode até ser tudo verdade, mas não me articulo em delírios de gatos fedorentos que até já tiveram graça.
A realidade é mais dolorosa e cortante.

Um Presidente a fazer o papel de todo um Executivo quando o seu Primeiro Ministro passa férias em Espanha é sinal do colapso definitivo de tudo.
Uma base de apoio em contra ataque de defesa para mandar calar as vozes que disso faziam aviso, engavetando novamente as propostas que agora se vêm obrigadas a implementar, é vergonha alheia e falta de sentido de Estado.
Uma oposição a braços humilhantes com líderes sem convicções é também indesculpável.

No final sobrou mesmo o Povo, fora da sua Casa ardida neste incêndio que queimou toda uma Nação.

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