Estupores e a matemática conservadora

Numa publicação em rede social, comentário sobre o Auto-Stop que a Auto-Europa se havia tornado, terminei a bravata política do Primeiro Ministro nessa eloquência actual que se vive.

“No fim, feita oposição anémica e inexistente, alvíssaras ao PM que nada logra mas tudo resolve.Costa, o maior estupor depois de Sócrates. Corruptor sem corrupção…”

Críticas a mim lançadas pela minha Esquerfobia – quem sabe o meu interlocutor queria dizer ‘patia’ –  pela forma como demonstro as inconsistências flagrantes de um Socialismo feito refém da Esquerda que tornou um Verão de chamas em novo Verão Quente, a verdade é que as minhas farpas se cingem sobre os estupores políticos que fazem do oportunismo a oportunidade das suas vidas.

No recentismo histórico cuja memória insiste em pré-determinar culposo, a verdade é que o PSD de Passos se lançou à estrondosa vitória contra Sócrates quando pensava que, com o apoio de toda a oposição, chegaria para governar um país menos fraudoso e mais capaz de o tornar em grande líder. Verdade sabida, a mentira das contas públicas foi bem maior e a Troika foi quem governou os destinos políticos portugueses.
PSD e CDS, essa analogia de tudo o que era “para além da Troika”, cumpriam o que as negociações do ‘animal feroz’ haviam decidido.

Mas o futuro seria risonho e a ser celebrado, tudo estaria Seguro não fosse o antigo braço direito de Sócrates se volver na sua esquerda quando este é detido. O golpe premeditado é cumprido frente a todos, aplaudido por outros tantos.
‘To Zé’ afastado, esquecido e culpado. Costa glorificado como o novo líder, sagaz e capaz de vencer.
Perdeu.

Mas o custo da sobrevivência é essa mirada no espelho da vã glória: não me deixo dormir uma noite mais sem ser o Primeiro Ministro da Lusa Nação. Reescreverei o Socialismo de Soares, apoio Guterres e lembro Sampaio. Sócrates é memória da qual não se fala.
54 dias depois contractos se assinam para os seis meses de Vasco Gonçalves verem à luz o Governo que Portugal nunca imaginou mas sempre sonhou ter.

Afastar para sempre a Direita e aniquilar o remanescente Comunismo trazendo para o Socialismo o Bloco. Tirada de mestre para quem sabe ler entre as linhas. Só que enquanto a Direita roí a sua corda de união e o Bloco se prostituí pelo facilitismo do poder cujo epílogo se traduz nesse apelido familiar revolucionário de tempos advindos, o Comunismo abre o seu precedente ilusório e remete para o incrível.

Se meses antes havia dito nunca vir a ser a “peninha no chapéu” do Governo Socialista, agora cede e é estupor pela primeira vez na história do seu partido. Jerónimo, o avó cantigas da política portuguesa, admite integrar o executivo do PS.
Imagine-se, se Catarina vive na lapela de Costa, bandeira de militância, Mariana quase a sua próxima Ministra das Finanças, agora será Jerónimo o próximo a, sem pudor, integrar o executivo Socialista deste país que ruma a essa sua origem traçada na Constituição.

Chapéus.jpg

E aqui começa o verdadeiro jogo de poder que António Costa nunca imaginou preparar nesses seus 54 dias de estuporado acto.
Se o PS é a rameira da política portuguesa, o PCP é a sua Madame. Assembleia red light district.

E a matemática conservadora é simples. A Sindicância militante que manda na Função Pública para a qual o executivo Socialista governa está na mão Comunista. O Bloco logrou perder a Auto-Europa para Jerónimo dando-lhe esse afã vitorioso que o seu fiel eleitorado permite:
Não votem no PS, votem em nós Camaradas, só assim garantiremos a eternidade.

Por esta não esperava Costa, um estupor igual ou pior que ele… agora apto a corrompê-lo.

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