Mayday

Para todos os efeitos faço uma declaração de intenções; o facto de trabalhar sem acesso a redes sociais e/ou notícias fez com que apenas soubesse daquilo que agora falo no dia de ontem quando assisti em diferido à entrevista da TVI; e segundo, a vítima de 8 anos estuda(va) no mesmo Externato onde os meus sobrinhos estudam


Tomei conhecimento de que uma avioneta se havia despenhado num areal da Costa da Caparica quando um excerto viral de uma entrevista ao Pai de uma das vítimas, uma menina de 8 anos, era motivo de chacota e crítica pela forma como o entrevistado parecia reproduzir um sketch de Herman José comparando opiniões a vaginas com a maior naturalidade como se nenhum acidente houvesse ocorrido ou a sua filha tivesse perdido a vida.

Se se tratasse de um excerto cómico até poderia ter eventual graça.
Se fosse porção de algo produzido pela CM TV encontraria ecos de repúdio mas justificação.
Mas não. Ao tratar-se de uma, demasiado real, entrevista feita no local do acidente momentos após o mesmo ocorrer, naquele canal que, pouco mais de um mês antes, nos mostrava um corpo carbonizado em similar reportagem, tudo parece fazer ecos justo do texto com o qual iniciei o projecto afarpa.com em 2014.

“Muito se fala que a imprensa escrita e televisionada, no fundo a Comunicação Social, condiciona a Opinião Pública. Mas afinal o que é a Opinião Pública?
Será que é uma massa de gente incapaz de pensar pela sua cabeça e que segue, estilo carneiros, ideias que são projectadas por um ente superior que veicula uma ideologia suprema sem dar a oportunidade da mesma ser questionada?”

Dado o ocorrido a resposta é sintomática e dupla.
Mayday, não bastava surgirem dois criminosos – cuja premeditação caberá à justiça decidir – que ao invés de arriscarem uma amaragem em auto sacrifício decidem aterrar num areal cheio de inocentes desprevenidos, para agora se ver criar este padrão televisivo em busca do horror como formato de sustentação.
Pior, fazer disso um formato onde se usa desse manto da Deontologia e Ética a favor do corporativismo de uma verdade desnecessária que o único que nos traz é o pior do Ser Humano.

A mediocridade em gravar o Pai da vítima, traumatizado, balbuciando uma incoerente lógica ruminativa com o sentido da compostura possível, é miserável. Representa tudo aquilo que o canal de Queluz se tornou, ou na verdade nunca deixou de ser. E isto não é uma opinião – apesar de pública-, é tão embrionário como aquela vagina pela qual todos passamos para nascermos.

Pior é ainda justificar que quem o quis – na ausência dessa capacidade – foi o Pai, como se um só Homem fosse em contra quem decide aquilo que vai ou não para o ar em Directo.

Opinião Pública é hoje o que se lê nas caixas de comentários, das redes sociais às notícias, na ausência de conteúdo viral que apenas nos enche dessa mediocridade em que a Sociedade dos Maydays se tornou.

Não lanço boicotes nem gritos de guerra, antes alertas nessa distância de quem se afasta cada vez mais de uma rede (anti) social.
Hoje apenas escrevo paz às suas almas.
Pelos que partiram sem necessidade disso acontecer.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s