Maria, Catarina e João.

Bater na Esquerda, sobretudo na nova Esquerda populista de pacotilha que abunda neste panorama Nacional, é do mais fácil e até aprazível a fazer.
Se a sua exaustão escrita e falada são uma ruminância psicológica, a sua versatilidade em procriar mitos fantásticos sobre realidades paralelas, alternativas e onde os factos são a mera coincidência do seu olhar toldado pela verdade que lhes convém, faz uma cartilha gloriosa que deixaria – ou deixará – as futuras gerações que encontrem esse relato compungidas de interrogações sobre o como terá sido possível existir alguém cujo desvio objectivado fosse tão alienado de uma realidade factual que nos atinge, magoa e doí.

Se quisesse ser realmente maldizente, quem sabe nessa seita crítica do facilitismo em deitar abaixo o Comunismo que define o Portugal de ’74, falaria da Venezuela e da declaração que o Eurodeputado Comunista, João Ferreira, teve a audácia de fazer em defesa da plutocracia de Nicolás Maduro. Se vergonha existisse e o breu a engolisse num silêncio eterno, o comunista saberia que tudo o que ali versou não passa de uma narrativa mentirosa e fraudulenta.
Ainda assim, e quem sabe sejam os 100 anos que fizeram perdurar uma má ideia que me dão essa distância em não ir criticar o PCP mas antes o BE, prefiro centrar-me nas declarações além do absurdo que Catarina Martins proferiu sobre a legitimidade dos ataques Norte Americanos ao Afeganistão.

Esta semana as redes sociais e os sites de click baite incendiaram-se ao descobrir-se de Direita. Maria Vieira, a actriz que em tempos se assumiu como Socialista, escreveu que “Estou farta destas Catarinas e das suas coleguinhas da extrema-esquerda que se fazem passar por boa gente e por gente de bem e que nem sequer foram eleitas pelo povo português para debitarem as asneiras que ninguém com o mínimo de decência e inteligência quer continuar a ouvir! Estou farta!”

Só que entre o ressabiamento dos asseclas de Catarina Martins e aqueles que prezam em excesso as palavras de Maria Vieira, há que se encontrar esse meio termo para compreender que é justo por existir um equilíbrio entre gloriosos imbecis que não são eleitos governantes – mas assim o parecem pela soma dos seus esforços – que o país se faz andar num ritmo tão artificial quanto a sorte do Turismo desviado para as Costas de um Portugal solarengo onde o terrorismo não encontra vazão para um Presidente se fazer fotografar ao momento.

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Contesto profundamente o que a Geringonça é, o seu formato ridículo que não passa de uma fugaz encenação para Bruxelas ver enquanto a Europa apedreja o Socialismo existente, mas, por outro lado, quem sabe este seja o escape de nova neutralidade que um dia Salazar conseguiu?
É que entre um ditador e outro, a distância de se chamar a esta liberdade condicionada ao autoritarismo de antes, vai apenas o fascínio desmedido por um défice imposto, onde agora até a Esquerda se preocupa.

Mas, e não resisto em citar esse ditador do país em que até o Presidente logra ser mais rápido que o jornal mais mediático em chegar à mais recente catástrofe nacional, António Costa tem um dizer que quase parece tudo absolver.

Sobre a política, não fosse esta a apoteose do que é ser o paradigma de quem escolheu se associar com quem acima se auto-descreveu como os defensores de uma certa Esquerda que parece andar direita, diz o mesmo: “O que nos faz estar na política é a defesa da dignidade humana”.
Resta saber se, nesta participação tão especial em tom final de um regime que se alça a perpetuar eterno, restará dignidade a quem professa ditas palavras?

No final, e é justo a imagem que, sem edições, ilustra a crónica, não é todo o Socialismo – e dito isto, a política – uma definição autoritária de quem se vê vencedor?
O Vice Ministro dos Negócios Estrangeiros Han Song-ryol responde directamente ao jornalista da BBC acerca dos campos de concentração políticos existentes na Coreia do Norte com essa frase, “Não aceitamos a crítica acerca do nosso estilo de Socialismo e acreditamos nas escolhas que fizemos.”
Tudo uma questão de estilo.

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