sletten en groene wijn*

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Não sei se é porque não exerço uma pauta mediática ou porque o imediatismo do mediático não me atinge na resposta imediata, mas a crise identitária que o Presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, levantou com o seu, muy mal citado, comentário acerca dos Países do Sul Europeu gastarem só e apenas o dinheiro comunitário com “mulheres e álcool” só me fez lembrar o mais recente anúncio de margarina Planta.
A sério, uma margarina cujas publicidades sempre foram em torno de um grupo de donas de casa em que a deixa mais popular fora o “lambona” que uma delas dizia ao provar o sucedâneo alternativo a manteiga, agora faz-se com o slogan de “origem Vegetal, Sabor irresistível” onde em pano de fundo surge um musculado Homem, seguramente ele o naco vegetal e irresistível que deve ser barrado a margarina…

Não entrarei em deméritos acerca de analogias sobre cremes para barrar e fantasias sexuais ao estilo de um qualquer Último tango em Paris, mas o facto é que ao olhar para este anúncio, vendo a reacção visceral que o dito comentário de Dijsselbloem provocou, questiono-me se o Presidente do Eurogrupo nada mais fez senão tocar numa daquelas verdades que o politicamente correcto não permite que sejam abordadas.

Planta mupi.jpg

Vejamos – antes de abordar o facto de que o comentário está mal citado – a questão subjacente é que o Sul da Europa se permite, por questões climáticas como geográficas, ser um reduto onde a diversão se torna mais presente e a celebração não é algo que um mero escape de vida. Por cá, em analogia directa, há mesmo a velha máxima das “putas e vinho verde”, chavão vernacular português para um país onde há mulheres de má fama e o vinho é verde.
Há garantia dos dois e assume-se com jubilo de cortesia.

Só que a analogia, onde o jubilo para criticar – ainda que merecidamente – Dijsselbloem, faz-se rasa face a um país de neo-pseudo-ofendidos sobre uma das suas inúmeras características populares, tudo fica mais claro quando se lê a citação integral que o Presidente do Eurogrupo disse no contexto de uma entrevista ao jornal alemão Frankfurter Allgemeine.

“O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.”

A clareza aqui é total. Não só Jeroen Dijsselbloem mostra como a Europa se constrói (ainda) de referências sexistas – não bastasse Janusz Korwin-Mikke -, como a alusão à divisão entre o Norte e Sul, nessa senda quase proteccionista da piedade protestante onde se ensina o “faz o que te digo, não faças o que eu faço”, o colocam como rapaz propagando desse anúncio de margarina.
É que na sua descifrada frase até parece que, em estilo sucedâneo a Portugal, os Países Baixos não nos têm vendido putas e marijuana ao preço mais barato…

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