o pecado original e a alheira

Tenho esta velha máxima de que ou o pecado original foi uma alheira – daquelas de sangue, perfumada, bem recheada com tudo o que de melhor há – ou na verdade de pecado nada teve e a imaculada concepção não passa de um mero dogma religioso que a Igreja nos vende há dois mil anos como se de uma pomba se tratasse.
E porque digo isto? Bem, não que a pauta cientifica entre na gênese de tudo o que é a reprodução, Humana e não só, mas de facto antes da inseminação artificial só a gravidez de Maria passava incólume de riso ou gracejo, já que numa outra Maria a probabilidade do facto se questionou por se ter secado na toalha do parceiro.
Vamos antes à questão de fundo.

Parece que a dinâmica política que rege os valores da Sociedade se fez dogma religioso onde o pecado original se elevou ao ponto estéril de uma gravidez imaculadíssima. O político actual – e nisto, porque não, incluo todo e qualquer cidadão – não pode existir senão desenhado e estudado para ser aquilo que os desígnios da sua maquinação carreirística o pré-determinam.

‘Se todos cumprissem o sonho infantil de ser astronauta a lua seria o maior reduto de desempregados que se conhece.’

Nesta Sociedade da projecção heróica dos pais que viveram em detrimento dos filhos, amealhando para a geração mais depredada por um sistema falho e parco em recursos, parece que a fuga – aliteração do escape “mil’eurista” que se vive – do passado criacionista para a realidade da sobrevivência não é pauta de conveniência mas sim conivente com alguma espécie de crime de vergonha.

Se nos jovens adultos (e não só), retornados a casa dos seus familiares em busca de melhores dias, parece ser sintoma de desgraça eterna, quando toca a quem nos governa o passado é condenação delatória para algo que se torna inevitável.
Queremos – ou querem eles – que os políticos sejam o fruto imaculado de uma Maria prenha de Fé, enquanto a restante existência frugal se aluda ao arrepio dos crimes que entre eles, os políticos, se solicitam como não tivessem todos mãos tingidas.

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Se a justificação para a sobrevivência de quem tudo perde ou busca escapatória de vida parece justificativa suficiente, trabalhar em algo que nada tem que ver com esse investimento educacional previsto e projectado é essa alheira que nos impregnou de mácula.
Por outro lado, como para o político a alheira não existe, ou assim é o anseio daqueles que, inter pares ou a nele votarem, lhe apontam o dedo. O seu passado é copiosa culpa do favorecimento que o fará rico e a nós pobres.

Perca-se tempo em investigar a obviedade do óbvio, solicitando o solicito necessário de algo que se sabe real: a sua alheira vem embalada, protegida e em vácuo lunar, cumprindo os requisitos de sanidade enquanto a nossa é apenas mero pecado que de original nada tem.
Nós pecamos, o político é o pecado original.

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