A papa Cerelac

A raiva misógina que tenho com Clara Ferreira Alves – pura tese intelectual, construída por anos de ler aquela que considero ser (ou deveria ser) a mais importante comentadora da actualidade portuguesa – parece estar a chegar a um fim.
Ao ser certo que a designei como a minha “bête noire” de 2014 pela sua entrega ideológica a um Partido seu de convicção e não de racionalidade, vejo agora que o resultado dos últimos anos – senão apenas meses – reverterão anos de críticas que lhe fiz.

Antes de fazer um mea culpa, nessa papa Cerelac que lhe disse faltar, quero divulgar o quão injustas as minhas palavras pareceram ao jornalista Mário Crespo nesse fim de ano de 2014, ao me ter escrito uma advertência sobre todo um processo de vida, e experiência da mesma, que se me escapava ao atirar a Clara essa imagem de um busto Republicano em tom jucoso quando defendia uma guinada à Esquerda Costista de um muro derrubado que agora se ergue.

Meu Caro Francisco,
Com esta tua reflexão discordo. A Clara foi advogada antes de ser jornalista há uns 30 anos. Curso da Clássica pré-25 de Abril. É de facto escritora com uma razoável obra publicada. É muito culta.
Na minha opinião é agradável de ler na crónica que julgo ser o seu melhor género. Tenho ainda a certeza que é uma mulher de coragem.
Foi enviada pelo Expresso em 1990 à primeira guerra do Golfo. Estive com ela em Tel-Aviv no mesmo período em que vivemos uns trinta ataques de mísseis Skud. Ela portou-se com admirável galhardia. Posto isto. As suas opiniões por vezes irritam por ser demasiado vincadas quando verbalizadas. Escrita é muito melhor que ouvida.
Um abraço Mário

CERELAC.jpg

A repercussão destas palavras que o Mário me escreveu, passados quase dois anos, tiveram dupla importância. Não só pelo brilhante artigo que Clara escreve a António Costa, lembrando-lhe a sua amizade Socialista dos tempos de soares, assim como a sua intervenção no último ‘Eixo do Mal’ do passado sábado 24 de Setembro de 2016.

Ao assumir o seu lado Liberal no que toca à poupança, à riqueza, chegando mesmo a usar a palavra “Libertária” em resposta directa quando Daniel Oliveira tenta impor a Fé Bloquista de uma Democracia Totalitária ao melhor estilo Grande Irmão, Clara Ferreira Alves mostrou estar desse lado da História de quem, ao até se poder assumir Socialista, o faz na consciência de que Portugal não é apátrida de uma consciência conservadora do respeito pela privacidade individual de cada um.

Aquilo que a anticomunista declarada compreende agora é o verdadeiro risco que o país corre ao entrar neste “Tiro ao Álvaro” que o Primeiro Ministro declara ao citar de cor a base principal de Marx.
Viveremos no limite da necessidade que o Governo pré-determinar.

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