Back to the Future Past

Na trilogia “Back to the Future” – Regresso ao Futuro – parte II, na cisão entre as duas realidades de Marty MacFly, coincidindo no roubo de um livro de apostas pela parte do seu inimigo número um, Biff Tannen, o presente torna-se naquilo que hoje, visto numa distância cinematográfica, se diria ser um distópico mundo regido por um Donald J. Trump caraterizado como possível candidato a uma fictícia presidência Norte Americana.
Se a cena não fosse cómica pelo contexto geral, todos os trejeitos que nela existem, o desempenho dos actores que lhe dão essa coloração especulativa do que seria a realidade distante de um ano 2015 visto em 1989, quase que seria possível dizer que, antes dos Simpsons terem avançado que Trump se candidataria – com probabilidade de vencer – à Presidência dos Estados Unidos, mais se diria que tudo não passaria de um pesadelo.

Só que na realidade, ao contrário do enredo do filme, é impossível de retroacção em jogadas de salvação.
O passado não se altera – verdade – mas o futuro é um juiz muito mais duro e cruel que uma memória repetitiva.

É ver o caso de Rudy Giuliani, o super Mayor de Nova Iorque à justos 15 anos quando nesta manhã os mais expressivos ataques terroristas ocorriam na cidade que chefiava.
Se a sua liderança nesse momento é inabalável, imbatível e inquestionável, o apoio que agora presta a Trump, cria esse acto de cisão espacio-temporal onde parece que há quinze anos atrás nunca houve um atentado, Nova Iorque segue o seu rumo Yuppie impessoal e a ganância oportunística de Wall Street segue somando números para arrestar pessoas.

Não adianta argumentar – nessa falácia retro conspirativa – que a fraqueza Norte Americana se deveu aos anos Bush (filho), mas pode-se sim garantir que grande parte desse legado Democrata Norte Americano que invadiu o mundo de guerras a ele se deveu.
Obama, o pacifista foi mais pacificador, ou ‘pacifier’, mas nunca descumpriu a honra de um passado que se lhe impôs.

Hillary é outra questão.
Não vou debater questões de mérito, nem sequer alavancar emails secretos, C’s de confidencialidade ou charutos na Sala Oval.
Há mnemónicas que apenas servem para opositores serem “classificados”.
Prefiro falar do spotlight que Trump logra, nesse populismo contundente a que se entrega, versus a realidade que Hillary tem e ninguém lhe dá, fazendo dela mais uma Lorraine Baines, subproduto desse regresso a um futuro passado.

Hilary é como aquele anúncio de gelado de cocó de unicórnio que todos viram, lembram-se do equídeo mitológico sentado defecando com orgulho cones de gelado multicolorido com purpurina, mas ninguém se apercebeu bem do produto que tentava vender.
Se por um lado os irresistíveis contornos felpudos desse unicórnio produzindo um suave creme em tons de arco-íris nos remetem para essa bandeira da universalidade e protecção da homossexualidade, por outro há uma repulsa fisiológica sobre o acto que ali se pratica. Nem mesmo o irónico tom do cavaleiro medieval explicando que o que ali se vende é um suporte sanitário para se evacuar fezes do organismo através do relaxamento do esfíncter e contrações do reto anal consegue apagar a imagem que no fim se propaga: pequenas crianças lambuzadas de arco-íris sendo limpas com papel higiénico com a voz em tom áspera e grave do unicórnio a dizer que com o #SquattyPotty tudo ficou mais fácil.

A verdade é que votar, per se, em Hillary não fará nada mais fácil. Votar em Trump também não.
O mundo não se tornará na distopia que Robert Zemeckis imaginou, mas também não será um arco-íris gelado que todos vão comer achando ser outra coisa que não aquilo que é.

Se por um lado fica mais claro o receio que, sobretudo hoje 11 de Setembro de 2016, pessoas como Giuliani conseguem perder uma credibilidade passada sobre factos de importância extrema pelo extremismo ao qual se associam, não será com uma aparente candura política, ao estilo de se tentar anunciar um produto que até pode ser proveitoso, útil e necessário à saúde, que se logra desafiar um adversário que, vistas bens as coisas, apresenta uma realidade futura muito próxima de quem está prestes a roubar esse livro de apostas para apostar o futuro de todo o planeta.

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