Pelas Tabelas

Dilma caiu. Foi ‘impeachada’. A sua cabeça, como um dia cantou Chico Buarque, andou pelas tabelas.

O povo saiu para a rua de blusa amarela, e alguns até acharam que era ela a puxar um cordão.
Oito horas e o Brasil dançou, meses, de blusa amarela. Protestos, bater de panela. Provavelmente não se deixou muitas cidades dormir. – Até o povo desceu das favelas.
Não só foi o povo a pedir a cabeça desse homem que olhava as favelas, era também a cabeça dessa que um dia rolou pelo Maracanã. E esse povo, de blusa amarela, pela representatividade nas tabelas, votou para que ela – sem que ninguém notasse a sua aflição – visse a sua cabeça ser levada pelas tabelas.

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Foi pelas tabelas, nesse voto popular, sufragado e aceite pelas mais altas instâncias jurídicas do Brasil que Dilma, junto com o seu Vice na chapa, se tornaram Presidente e Vice Presidente do Brasil.

Foi pelas tabelas, nesse voto representativo, aceite por uma maioria parlamentar, que Dilma viu aberto contra si o processo de impeachment.

Foi pelas tabelas, no voto da maioria dos Senadores, em quorum absoluto, sem dúvida da legitimidade de um processo decorrido em total transparência e lisura, que Dilma se viu cassada do seu cargo político.

Foi pelas tabelas, pelas populares, por esse povo, pelas camisas amarelas, representantes de um verde, amarelo azul e branco, sem vermelho onde a ordem e progresso não são progressistas, que Dilma fechou 13 anos de uma sorte onde a fortuna se fez azar.

Agora que um mal menor, ainda que mal, segue no perjúrio daquilo que pode melhorar, pede-se nova cassação.
Pede-se que a nova lógica de um sintoma populista dessa vingança que a não ter sido a uns lhes aparenta ter sido, vire golpe a aflição numa retórica designada de mimimi.
Contra golpe será silenciar também aqueles que se pretendem expressar nesse seu desígnio, mas buscar numa disparatada refutação jurídica de que o afastamento de Dilma é um golpe Democrático é estar alienado do que representa a justiça na sua plenitude.

Que a cabeça de Dilma saia das tabelas políticas. Que a de Lula siga o seu rumo na justiça, e o Brasil encontre em Temer uma razão para a evasão social que assola o país.
É tempo de reconciliação e não de afirmação.
Dois anos e quatro meses serão o teste para a dura análise a um passado condenável de pura admiração. De um país que agora se encontra nesse choque ideológico onde antes havia a aceitação do que era uma realidade sem moral.
Pior, do que se tornou uma moral onde a realidade deixou de imperar.

Que não se tema o futuro, pois às tabelas sempre pode o povo – de camisa amarela – recorrer.

Ando com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se importa com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando

Com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando

Com minha cabeça já numa baixela
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando um cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando

Com minha cabeça já numa baixela
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela
Eu achei que era ela puxando o cordão
Oito horas e danço de blusa amarela
Minha cabeça talvez faça as pazes assim
Quando ouvi a cidade de noite batendo as panelas
Eu pensei que era ela voltando prá mim
Minha cabeça de noite batendo panelas
Provavelmente não deixa a cidade dormir
Quando vi um bocado de gente
Descendo as favelas
Eu achei que era o povo que vinha pedir
A cabeça de um homem que olhava as favelas
Minha cabeça rolando no Maracanã
Quando vi a galera aplaudindo de pé as tabelas
Eu jurei que era ela que vinha chegando

Com minha cabeça já pelas tabelas
Claro que ninguém se toca com minha aflição
Quando vi todo mundo na rua de blusa amarela…

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