Sal q.b.

O cloreto de sódio, mais conhecido como sal, é um dos elementos químicos indispensáveis à vida na Terra.
É o seu equilíbrio no organismo que regula a quantidade de água indispensável à sobrevivência do Ser Humano.
Como em tudo na vida, sal a mais mata, sal a menos também.
Procura-se sal q.b..

Mas o sal é também ele a origem dessa relação de troca monetária que existe até hoje: o salário.
Certo, pode que não seja a origem da relação monetária, mas é a palavra sal a etimologia de salário uma vez que foi o facto de ser a equiparação de valor do sal a dinheiro que lhe consentiu dito adjectivo.
Tudo muito politicamente correcto. Antes q.b..

Sejamos sinceros, o politicamente correcto é como o sal. Se devia ser um q.b., em prol do quanto baste, ou anda num superlativo apto a dar-nos um ataque de hipertensão, ou na sua falta, é de uma sonsice intragável.

Num momento em que até os Simpsons declaram que votam na Democrata Hillary Clinton, surge essa voz dissonante, patriótica e de peso, Clint Eastwood, o herói cinematográfico dos filmes de faroeste, grande Director de Hollywood, veio assumir o seu voto pelo candidato improvável; Donald J. Trump.
O vencedor de 4 Óscares da Academia disse que Trump “diz muitas estupidezes” mas que as pessoas devem “ultrapassar isso tudo”. Que “as pessoas estão fartas dos lambe-botas politicamente correctos” e que esta é uma “pussy-generation”.

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Eastwood não foi nada q.b.. Nem tinha de ser.
Verdade seja dita, não farei um julgamento sumário acerca do artista, ou sequer da pessoa, acredito na liberdade de expressão individual, ainda que no constrangimento de que a Sociedade acaba por eleger quem se deve manter ou não no limite tangível do que é um quanto baste tragável. Clint Eastwood tornou-se em parte intragável.

Compreendo a questão por ele levantada acerca do politicamente correcto. Vivemos numa Sociedade em que há demasiados constrangimentos impostos acerca daquilo que não se deve dizer para não ofender um terceiro. Já nem se trata de bom senso ou mesmo senso comum. É apenas a impossibilidade de se poderem dizer determinadas palavras, referências ou nomes, sempre na certa incerteza de estarmos a ferir ou ser jocoso com alguém.
Mas a verdade é que não se trata de não se poder dizer. Dizer algo, de forma educada, com correcção e princípios éticos e morais, sempre foi possível. Partir para a ignorância e ataque – ainda que possível – é que não.

O ser politicamente correcto não significa ser sonso, ter falta de sal. Pelo contrário. A correcção política, ainda que não levada a um extremo absurdo de estupidez – e sim, parafraseio Eastwood na palavra estupidez – tem as suas vantagens por comunicar com maior amplitude e não apenas para um determinado público alvo.
Ao contrário, a ausência de contenção verbal, indo em contra qualquer tipo de correcção política, apenas serve para criar crispação e fissura social.

Poderia citar o perfeito, e mais conhecido, exemplo histórico sobre a adaptação do discurso político, passando da correcção à loucura; Adolf Hitler; mas prefiro antes ser propedêutico e partilhar a experiência de vida do actor George Takei e o impacto que o pós-ataque a Pearl Harbour teve na comunidade Japonesa residente nos Estados Unidos.
Tudo menos politicamente correcto. Nada q.b..

Trump, políticos populistas, aqueles que muitos veem como capazes de ter uma voz politicamente incorrecta, falam assim.
Dizem justo aquilo que, na verdade, aquela parte dentro de cada um de nós, que no nosso âmago, escondida no recôndito mais egoísta, egocêntrico, individualista e imperturbável se esconde, pedimos que seja vociferado como forma de ataque por pura ignorância.

q.b? Não! Basta.

Nota:
A tradução dos excertos do discurso de Clint Eastwood foram por mim realizados.

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