Dia da Raça, Nação, Pátria e crítica

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Tenho a sorte de ser crítico em causa própria, fundamentado em literatura abrangente, factos transcritos na memória crónica de um cronista por acumulação, mas acima de tudo por ter, além de bons leitores, melhores amigos.
Passe a introdução em glória/inglória, após a minha tentativa de crítica ao 10 de junho que recuperou essa memória tão Salazarista (digo Salazarenta?) de uma Lisboa em palco de agradecimento às tropas do Ultramar, Governo em consonância, eis que recebo a melhor e mais brilhante resposta que poderia ter no imediato.

Mário Crespo, jornalista cuja eloquente crispação sobre a sociedade actual tenho o prazer de escutar sempre que me é permitido, remete-me sintomática resposta inter-geracional.
Ao meu Dia de Portugal (a antecipação) responde:

“As esquerdas não são “supostas”. Existem mesmo. E governam.
O povão não vai ao terreiro com qualquer inspiração celebratória do Império. O Império foi mercantilista e, sobretudo, episódico. Trocou-se escravos, ouro e grãos de pimenta por Florins e Coroas. Chegou-se lá com navegadores venezianos e genoveses. Não se faz um Império com feitorias esclavagistas e proselitismos dominicanos. O “Império” resulta de feitos que a narrativa heroica do professor de Santa Comba, que gostava de se ver paramentado de academia a olhar para baixo, inventou para domar o povão quando não havia circo suficiente na Exposição do Mundo Português para exaltar o “peito ilustre Lusitano a quem Neptuno e Marte obedeceram” que fizesse esquecer as praças da jorna e a ausência de Serviço Nacional de Saúde e Segurança Social.
E é isso que o povão procura no 10 de Junho. Circo, outra vez, na Baixa de Pombal como o procurou frente à igreja de São Domingos numa das fomes e pestes Manuelinas vendo queimar judeus.
Desta vez não vai haver narrativas heroicas de um ditador labrego que nos salvem.
Celebremos um dia sem trabalho em Paris. Claro que teria que ser lá. há futebol.
Daqui a um ano que seja em Bucarest ou Luanda. Não importa porque finalmente começamos a entender que, como entidade Nacional perdido o infame conceito da “raça”, não existimos.”

Só que a eloquência crítica de Mário Crespo viria nesse pós 10 de Junho onde a antecipação seria causa celebrada e o Império traria o exacto acto celebratório onde a farpa aniquiladora era comprovatória de que a Geringonça mais não é que um espelho dessa Nação complexada sobre tudo o que uma estátua pode representar.

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Não só vi um país arrestado nessa ilustração postal da memória Imperialista perdida, como se concretizou o mais sintomático divisor político Português.
Naquele terreiro feito praça estava a fiel representação da ingerência política que assombra o hemiciclo. O centro Direita e o Governo sentados com o Presidente ao centro, enquanto a ala Esquerda se encontrava omissa.
Parece que em determinado momento a arrepio da História passada, nem houve um golpe militar que derrubou a ditadura, os Comunistas entraram a meio disso tudo e o Nacionalismo Patriótico de Salazar se desfez para impor o eterno Patriotismo de Esquerda.

Se a Direita Portuguesa faz uma tratativa de unir esse sentimento Nacionalista com a ideia de Pátria, a Esquerda mantem a pauta singular do Patriótico.
Mais, fá-lo em ausência e critica sobre o que se passa, como memória de um passado que os confrange e afasta.

O inusitado na paisagem mediática até surgiu com quem duvidasse de que o fascismo tem mesmo origem no marxismo, como se Nacionalismo e Patriotismo não fossem complemento um do outro tanto quanto a Direita e a Esquerda se devessem complementar ao invés de atacar.

A minha lógica da substituição das estátuas aqui é prefeita.
Substitui a estátua equestre de D. José I por uma estátua de Salazar que se encontrava no Liceu homónimo em Maputo, Moçambique.
Hoje essa estátua encontra-se lá abandonada, virada contra uma parede lateral da Biblioteca Nacional, como sinal do sentimento anticolonial que perdura.
Em Lisboa as coisas não são tão distintas. Veja-se o Marquês de Pombal que, apesar de ter sido considerado um déspota pela forma como julgou a Família Távora, julgado como tal pela Rainha D. Maria I e exilado como pena do seu acto, a estátua de maior porte que adorna a cidade em memória do seu herói popular é ele mesmo.
O único que se alterou foi o juízo histórico através do tempo, ainda que na data da sua inauguração, a 13 de maio de 1934, nem Salazar ou Presidente da República Óscar Carmona, estivessem presentes.

A verdade gritante, mais inflamada que outra coisa, quer pela presença política de uns, ausência de outros, é que no final do dia, haja “judeus para queimar“, jogos de futebol para jogar, é sempre o circo que nos une como “raça” que, no final, como iguais, somos.
Seja Nacionalistas, Patrióticos, críticos ou outros que tais.
Haja é festa, feriados e razão para celebrar.

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