Pulse (of Humanity)

Começo pela frase que, feita cliché, chavão, jargão, usada e abusada, eu determinei usar como imagem de perfil em rede social para dar um basta num acumular de actos conexos feitos aleatórios para defender o indefensável.

JE SUIS SICK OF THIS SHIT

Sigo com o texto, copiado e repetido num sintoma dessa quebra que se busca justificar, para dar início a esta crónica de um costume demasiado costumeiro.

Can someone have the balls to kick off England and Russia right now?
Can someone have the balls to say to France that they are not prepared for the event?
Can someone have the balls to forbid people in America to have guns just because?

JE SUIS.jpg

A Paz não é o estado natural da evolução.
Para se criar sempre foi preciso antes destruir e a convivência entre iguais antes não chegou sem a imposição do mais forte.
É uma característica animal que existe na Natureza.

Quando dita teoria, ainda que aqui apresentada de forma empírica, se aplica ao animal Homem, a dissonância apenas ocorre pelo facto de sermos capazes de elaborar pensamento.
Tudo mais relata um triste retrato demasiado Humano. A prevalência da violência na Humanidade como forma de superação entre iguais sempre se manteve como regra evolutiva.
A violência não tem ou precisa de ser bélica. Pode ser física, psicológica, verbal, sexual. etc.

O hiato de Paz criado com o fim da segunda grande guerra, alavancado numa esperança económica e financeira da geração dos baby boomers, assim como a sua artificial manutenção num mundo que mudou sem a adaptação das sucessivas gerações a uma realidade cada vez mais injusta face a um crescimento populacional inverso à sua capacidade monetária, permitiram o efeito do descontentamento extremista que agora se vive.
A excessiva e artificial Paz gerou uma violência cada vez mais real e preocupante.

Desde 2001 que essa violência tem vindo num escalar proporcional e ilimitado.
O que começou por um movimento organizado, surge agora como a raiva incutida em indivíduos descontentes com causas fracturantes.

Ontem foi Orlando.
Poderia ter sido outra qualquer localidade onde a Paz artificial e o diálogo sobre a fractura social existem conexamente numa pauta ideológica sem que dialoguem.

O problema dos Estados Unidos da América não é o controlo das armas. Isso esbarra logo na Segunda Emenda à Constituição.
O verdadeiro problema é o controlo interno de segurança.
Quando o ataque das torres gémeas ocorre em 2001 é instaurado o USA PATRIOT Act. Esta “Lei Patriótica” permite, entre outras medidas, que órgãos de segurança e de inteligência dos EUA interceptem ligações telefónicas e e-mails de organizações e pessoas supostamente envolvidas com o terrorismo, sem necessidade de qualquer autorização da Justiça, sejam elas estrangeiras ou americanas.
Apesar da medida ser efectiva e produzir efeitos, a divulgação da intromissão no ‘American Way of Life’ feita pelo ex-espião Edward Snowden em 2013 levantaram grandes questões sobre privacidade e direitos Humanos. Em 2015 o Patriot Act acaba por ser substituído pelo USA Freedom Act, uma directiva semelhante mas mais equilibrada onde os dados são tratados de forma mais oportuna e em conformidade com as noções antes contestadas.
Aparentemente falhou.

O ‘politically correct’ – e esta é uma opinião pessoal – no tratamento de informação que leva, ou pode levar, um país a terroristas, deve seguir a velha máxima das negociações
NÃO SE NEGOCIA COM TERRORISTAS*. Tudo o resto torna-se acessório.
Um Estado Democrático deve garantir a totalidade de Direitos aos cidadãos que os cumpram. O complemento directo dos Direitos são obrigações. Quebrando um existe o outro para ser aplicado, mantendo o equilíbrio social. O facto é que a Sociedade anda desequilibrada, perdida na sua noção perpétua de Paz permanente.

O ataque à discoteca Pulse na Florida mostra justo isso. Um Estado Democrático é maior que as suas fronteiras, sobretudo os EUA.
Os Direitos violados ali implicam mais que a condicionante aplicada no USA Fredom Act ou no “não negociar com terroristas”. Envolvem um confronto religioso sobre uma Sociedade que transpôs o credo para se auto-determinar laica e assim conviver com todos.
O mundo Ocidental suja as suas mãos para conviver nessa Paz artificial e manter tudo sempre igual.

Prefere-se escutar o pai de um assassino em massa dizer que nada tem que ver com religião quando o mesmo o educado segundo os preceitos do Islão onde a homossexualidade é um crime e a morte a sua libertação.
Prefere-se fazer eco de um grupo terrorista e dar-lhe importância internacional ao invés de mantar o assunto contido nacionalmente.
Prefere-se aceitar a provocação política da oposição para uma retaliação imediata sem ponderar as consequências a longo prazo.
Prefere-se seguir o pulso da Humanidade sem antes o sentir.

A Paz perpétua à adaptação a algo que mudou.

* Acredito que se possa negociar com terroristas, facto histórico que já antes aconteceu e que suponho irá ocorrer.
Escrevo por uma questão de princípio. Compreendo esta lógica como preventiva, face a um USA Freedom Act mais interventivo, justo porque numa Sociedade onde quem contribui licitamente e nada tem que ocultar, nada deve ter a temer que lhe seja escutado dentro de parâmetros Constitucionais.

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