alhos, bugalhos e a teoria das vacas

O rapaz do brinco, tal qual inverso de pintura realista do Barroco de Vermeer, vem, de forma populista, dizer que a actual oposição faz fanfarra de estilo ao publicitar o Orçamento de Estado como um prenuncio de morte à credibilidade internacional da geringonça.
Não só não estão a defender os interesses de Portugal como confundem “alhos com bugalhos“.

Verdade seja dita, o brinco que o rapaz Galamba, o moço de parecença e fisionomia similar com o seu ídolo Sócrates (o filosofo com certeza), usa, não será de pérola. Nem mesmo de prata. Não reluz como as suas peregrinas ideias ou sopros que lhe fazem ao ouvido daquilo que papagueia para vociferar aos microfones da soberana Nação Lusitana.

A sua invocação de alhos e bugalhos para demonstrar a calunia de Passos e Portas no anterior executivo sobre a permanência de cortes estruturais ficou, desde logo, desmentida quando ainda no ano passado os salários da Função Pública começaram a ser repostos numa razão de 20% ao ano – tal como previa o programa eleitoral da Coligação PàF.
Mas ver a evidência da Ciência é algo que escapa aos acólitos do Socialismo de Extrema Esquerda Comunista.

Dito isto, e porque a razão prática da contestação orçamental se prende mais com a regra de previsão optimista que Costa, Centeno e a sua trupe colocam no retorno de 4 para 1 que vão arrecadar no estímulo interno, mais vale falar na teoria das vacas.
Se essas não são a bomba atómica que que fará as pernas de Bruxelas tremer – lembrando outro dos delfins Socialistas – seguramente faz um relato bastante claro daquilo que as políticas de Direita, Esquerda e Centro são na prática.

garlics and bugarlics.jpg

A tentativa da Direita tradicional seria implementar o Capitalismo, também ele tradicional, em Portugal. Tem-se duas vacas, vende-se uma, compra-se um boi, procria-se e cria-se uma manada, e vive-se do rendimento que isso nos traz.
Claro que nem sempre funciona e quando se sai de um período de fascismo onde o Estado é detentor das duas vacas que temos e apenas nos vende parte desse leite, tudo fica mais complicado. Mais a mais quando a entrada em Democracia em Portugal se sufragou escolhendo o Socialismo.
Nesse caso ao se ter duas vacas optamos por dar uma ao nosso vizinho.
É nobre, tem um quê até de patriótico. Mas não satisfaz a máquina do Estado. Aí as políticas ficam cegas e entra a burocracia. Essa executa todos. Tens duas vacas? O Estado tira-te as duas, mata uma tira o leite da outra para depois o deitar fora.

Mas nada melhor que o arco da Governação regressar ao poder para recentrar as ideias. Venham estímulos. venham vacas. Entramos na época do capitalismo selvagem. Tens duas vacas que capitalizas num empréstimo fictício feita a uma offshore que fizeste em nome de um primo que declarou ter três. No balanço do banco dizes ter quatro. No swap de compensação quando traduzes o lucro do prejuízo que te escapaste de pagar já tens cinco. E na conta final, quando a auditoria externa ao teu património vai ser feita, a contagem indica seis.

Claro que nesse momento entra em contexto aquilo que se chama a falência das vacas inexistentes.
O FMI empresta-te mais vacas quando a Troika descobre que as restantes quatro vacas do inventário não existiam e as duas originais tinham sido comidas há muito. Nesse momento lembras-te que vives na Comunidade Europeia e o sistema das vacas funciona assim: as duas vacas que tinhas foram um investimento. Esperava-se a multiplicação do mesmo. Agora que estás sem vacas querem que pagues com o leite que já bebeste.

Como passaste fome, sede e ate foste um bom pastor, a Comunidade decidiu devolver-te duas vacas para voltares a jogar.
Saiu-te foi a carta de azar no Monopoly. A conjuntura política que se aliou em Portugal promete muito mas a teoria das vacas desmente o logro que se apresenta.

Se em Socialismo uma das tuas vacas acaba partilhada com o vizinho, em Comunismo eles retiram-te as vacas, vendem-te uma parte do leite e ainda te dizem que estás a ganhar com isso. Agora quando as duas ideologias se misturam, as vacas partilhadas que existiam deixam de existir e aquilo que te vendem como leite é algo que está mais próximo de alhos com bugalhos que a certeza deste orçamento passar sem sanções directas para o comum cidadão português.

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