Sharia, 2016

A interpelação do uso arbitrário crítico ocorre quando o desacordo se gera face à evidência da memória e o passado se faz presença futura, ainda, inegável.

Ontem citei Sir Winston Churchill num texto com 117 anos, nesse inegável paralelo comparativo acerca do Islão e sua ramificações extremistas que surgem como combate armado à Liberdade Ocidental. Na fundamentação, por mim traduzida e adaptada, ao não aplicar a palavra Sharia para a lei Islâmica, menciono, como no texto original a lei Mahometista. Mais ainda, e como tom provocatório onde exerço esse dever de pensar face à evidência contemporânea, ao invés de titular o texto como ‘Islão, 1899‘ transporto-o para uma realidade actual, nesse desvirtuamento sucessório ao incutir-lhe a perversão de chamar ao Islão DAESH.

A crítica interpelada fez-se, de imediato, presente.
Que estaria eu a ler? Quem citaria sem saber citar, traduzir ou adaptar?
Que confusão estaria a fazer, sem esse propósito, até gráfico – incluí no quadro “The Charge of the 21st Lancers at Omdurman”, de Richard C. Woodville (1898) o skyline de Nova Iorque com as Twin Towers – de incitar um ódio religioso?

Sharia, 2016.jpg

Nada disso. Fazia o paralelo do impacto existente, neste nítido confronto entre as duas maiores religiões no Mundo, naquilo a que se designa de confronto de Eras.
Enquanto o Cristianismo aceitou a existência da Ciência como forma de refutação plausível da nossa existência divina no planeta Terra e Universo, o Islamismo mantém-se fiel a um princípio existencialista devoto das suas escrituras sem fazer um questionamento interpretativo das mesmas.

O Alcorão é a Palavra de Alá e a Sharia a sua Lei. São inquestionáveis e imputáveis sem qualquer permeabilidade aos seguidores do Profeta Maomé desde jovens nas Madrasahs.

Seguindo uma certeza que tenho, e tal como fica exposto no texto que ontem apresentei, acredito que o Ser Humano enquanto individuo contém em si uma bondade e compreensão que não se faz desígnio impermeável da palavra de qualquer Deus. Nesse aspecto considero que o diálogo, seja em que língua, gesto, troca ou similitude for, nos aproxima.
Já a união em prol de um, dito, bem comum, gera um desentendimento que provoca esse confronto de diferentes Eras a que se assiste.

Olhar para o confronto entre o Mundo Ocidental e o Mundo Islâmico, independente da diversidade religiosa existente dentro de cada qual, é compreender justo esse atraso evolutivo no trato Humano dado ao Ser que as compõe.

Recorrendo à memória da grandiosa História do Império Árabe, e de todos os ensinamentos que nos deixou – sobretudo aqui na Península Ibérica -, causa espanto como um Povo que se tornou tão evoluído quando andávamos nós por aqui em época de atraso em aprendizagem, ter-se tornado neste Povo bárbaro que perverte a palavra de ordem do seu Deus e decapita, mata e chacina em nome de uma Sharia absurda para nós.

A Palavra ouvida por Maomé em 610 a.D. não pode permanecer perdida numa caverna sem alegoria de Iluminismo. Passaram-se 1406 anos e a Humanidade evoluiu num percurso feito de mais conquistas que derrotas.

A questão que fica é simples: Pode o Islão sobreviver a uma interpelação do uso arbitrário crítico que ocorre quando o desacordo se gera face à evidência da memória e o passado se faz presença futura, ainda, inegável?

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