#33

Mais um ano se acabou, outro começará.

Fez-se, desfez-se. Voltará a se fazer para se desfazer. Tudo se parece com a pauta musicada na meseta Castelhana ‘Hacer por Hacer’ de Miguel Bosé. Tudo visto nessa referência de um amor que nos faz mortais e fatídicos.

Tudo nessa última noite…

“A noite que eu quero, passava-a nos teus olhos, à espreita de algum momento pra começar a fazer estragos. A noite de promessas que me propões descobrir pode ser tão indecente que me garanto: não a vou cumprir… não a vou cumprir. A noite da minha vida será vã para um louco, sabendo que há que seguir-me ou deixar-me vê-la a sós.

É que hoje eu coloquei-me entre a tua espada e a minha parede.

Não sei mais se fazer, ou melhor desfazer.
Fazê-lo mal ou fazê-lo bem.
Fazer por fazer, apenas por desfazer.
O que nunca se fez

Não sei se fazer…

Apenas por desfazer. Apenas para desfazer. Nunca fazer por fazer.

À noite de que gosto não importa que eu seja bom, nem a quem morde a maçã, dando-me o seu veneno a provar. Esta noite prende-me, resistindo-se a ser Mulher, e conquista-me as camisas com o toque da sua pele.

É que hoje eu coloquei-me entre a tua espada e a minha parede.

Não sei mais se fazer, ou melhor desfazer.
Fazê-lo mal ou fazê-lo bem.
Fazer por fazer, apenas por desfazer.
O que nunca se fez

Não sei se fazer…

Apenas por desfazer. Apenas para desfazer. Nunca fazer por fazer.”

2015_2016

2015 chega ao fim, 2016 se inicia.

Neste ano senti-me, mais que nunca, uma Penélope esperando o seu Ulisses, fazendo as suas malhas de dia e desfazendo-as de noite.
Indo e vindo nessa maresia diária. Ondulação perpétua e fatigante que faz o compasso dos dias.

Hoje, nessa tradução de uma alegre música, com esse travo amargo que nestas pequenas linhas transmito, faço e desfaço tudo aquilo que nos espera neste ano em que vou cumprir a terceira capicua da minha vida.

2016 será um ano apoteótico. E se a minha palavra para 2014 fora hipocrisia, para 2015 ela é carácter.
Penso que é uma palavra que define bem quem a lê e faz essa análise sobre o seu próprio carácter. Muitos o têm, outros nem por isso. Por tal a minha escolha recai nela, como a charneira que define os que ficam e os que vão.
Porque os que agora se erguem, refazendo o que não precisava ser feito, são os que não o têm. Mas isso é uma liça que a lição histórica dirá.

Por agora? Música Maestro!

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