Magnum Opus Português

Faz cerca de um ano que escrevi o texto que se segue.

Falava da queda desse Império que tudo fez desabar, e o nosso sistema alicerçado em pés de barro tombar.

 

Nada nesta vida tem uma garantia de eternidade além desse Jardim do Éden que um livro promete.

 

Por outro lado é por causa desse livro que a maioria dos Países Nórdicos são mais instruídos no saber ler que os Latinos, condescendentes com a oralidade, menos preparados, quiçá, para uma democracia plena na sua escolha eleitoral.

 

O Primeiro de então, citado como o iluminado, vê-se agora substituído pela iluminura, e essa, nem a papel químico saiu bem na fotocópia.

Veremos no que dá.

 

À oposição recomendo silêncio e elogios à prestação à direita desta Esquerda.

Ao que escrevi, não lhe altero nem uma vírgula, pois a História assenta tal qual a previsão.

 

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Estávamos em 1759 quando o Mr. Le Docteur Ralph apresenta o seu livro ‘Candide ou L’Optimisme, obra traduzida do Alemão.

 

Nela narra a história do jovem Cândido onde, num jardim idílico, recebe de seu mentor Pangloss, os ensinamentos do filosofo Alemão Gottfried Leibniz.
É uma história satírica sobre a visão do mundo ideal, onde, através da corrupção e perversão da norma, em exemplos quer de influência Humana, quer de influência Natural, se questiona a Fé Suprema e os princípios de idoneidade que se considera existir no Homem.
Acaba por ser uma alegoria ao optimismo que, à época, sobre um olhar Iluminista, se via traído na sua génese da crença de um Deus que não nos salvará da morte para um Paraíso do Éden tão seguro como isso tudo.

 

O Docteur Ralph, que de Alemão tinha apenas o pseudónimo que escondia, era na verdade o Francês, François Marie Arouet, também conhecido como Voltaire, e o seu ‘Candide’, o Magnum Opus de toda a sua vasta obra literária.
Mas quem sabe, por ventura, o fenómeno que despontou a mudança no pensamento de Voltaire e o seu questionar sobre a Fé adquirida, foi o grande Terramoto de Lisboa em 1 de Novembro de 1755. Com este cataclismo, em que, de forma democrática, ninguém escapou à fúria de Deus, se começou a criar um pensamento acerca da probabilidade dos pecados e pecadores, terem de ser todos castigados de igual forma, ou se de facto, apesar de se crer na existência de Deus, uma força acima Dele – entenda-se, aos olhos de hoje, a Natureza; se sobrepunha?

 

Não seguindo a linha Iluminista, ainda que dela muito se possa retirar sobre os comportamentos Sociais que temos assistido, foi justo com a destruição da Capital do Império Português, que se criou a base da Sociedade Monetária e Financeira (arrisco dizer Industrial) que sobreviveu até aos dias de hoje.

 

O grande responsável, e autor da frase ‘Salvem-se os vivos, enterrem-se os mortos.’, Sebastião José de Carvalho e Mello, enquanto Secretário de Estado do Reino, ou seja, seu Primeiro Ministro, entre 1750 e 1777, implementou um plano inovador, de inspiração Europeia, de ‘despotismo esclarecido’, onde, mantendo uma linha da Tradição vigente, se juntava a nova ‘ideologia’ Iluminista.
Nesse sentido criou uma série de novas industrias Nacionais, demarcando, a título de exemplo, o Vinho do Douro, entre outros.
Essa criação de industria institucionalizada, algo que antes não havia em Portugal, fez surgir uma burguesia endinheirada, facto esse que deu ao futuro Marquês de Pombal o seu título depreciativo de ‘novo rico’.

 

Claro que a actualidade não vive em permanente contacto com a memória Histórica, mas dela tem, inequivocamente, as suas raízes, e neste Magnum Opus Português, trágico, e quase satírico como um Cândido de Voltaire, podem-se traçar as linhas que aqui nos trouxeram, e em como, sem grandes rodeios, esta História terá um desenlace parecido com as suas memórias do passado.

 

As Famílias que vemos numa guerra aberta, finda a queda do Império, são, ainda que em apelidos já diferentes, as mesmas que aquelas que o Marquês criou no seu plano ambicioso de inovação industrial para Portugal.
A discussão que se assiste não recai sobre as consequências mas sim sobre as causas da inveja de quem teve mais a ganhar ou se viu perder tudo no jogo perpétuo da inveja da partilha dos bens que se assistem a apelidos eternizados na praça dos negócios.
Em três actos, inquiridas as pessoas que falaram sobre o conteúdo interno da negociata, descobre-se que o poder do dinheiro é a moeda de conveniência e conivência no mundo, sujo, dos negócios portugueses.

 

Cai por terra a idoneidade que a capa de um bom nome de Família traz. Afinal o ‘falam de mim e não da minha criada’ já não tem relevância, pois as futuras ‘novas’ criadas, são aquelas a quem um dia tudo se lhes serviu de bandeja.

 

Mas a pergunta que se impõe, mais que tudo, é a quem cabe a reforma do novo ‘despotismo esclarecido’?
A resposta reverbera na lembrança histórica que lhe assiste: no Primeiro Ministro em funções governativas.
É ele quem quer, não por causa de um cataclisma natural, impor uma nova ordem. Quer deixar o seu nome perpetuado na História de Portugal como o grande reformador da corrupção e ganância do ‘impresarialismo triunfalista’ português.
Mas revendo os factos que a História insiste em não apagar, o fim de vida de Sebastião José de Carvalho e Mello, agraciado pelos seus serviços ao Rei com o título de Marquês de Pombal, terminou a sua vida num exílio imposto pela descendência Real que o desprezou pelos actos que cometeu.

 

Há época o povo era desinformado e regia-se pelo que se lhe era feito informar. Na actualidade pouco mudou e nem eu sou o próximo Mr. Le Docteur Ralph para contar uma história sobre um novo Jardim do Éden, onde um Cândido, já envelhecido, vê caírem por terra os seus ideais de mudança, ainda que para isso, toda a sua História termine de igual forma, nem ninguém acredita que o Primeiro Ministro seja exilado pela sua visão ‘Iluminada’ da vida.

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