Há algo travestido nisto tudo.
A política, que sempre foi porca, deu a beber RedBull a muitos e as asas estão a fazer porcos voar.O Eixo, que a ser do mal – nessa apropriação de uma guerra dicotómica, resfriada com a queda de um muro que agora se invoca numa tremenda ignorância; parece se reverter num Eixo do Bem, ou mais, num ‘Aliados’ do Mal.

Se a Coligação em Governo propôs e era mau, é ver agora a nova pseudo-hipotética-patética (desculpem os termos, mas insanáveis que não se juntam, juntos não ficam) fazer uma fotocópia do original que antes a PàF apresentou.

Ler Catarina Martins, a transparente Bloquista  no DN, é ter perfeita noção de que as cedências eleitorais são o bilhete de ingresso garantido para ascensão ao poder, e já agora, a um lugar governamental a curto prazo.

Mas as inopinadas opiniões não se sustêm apenas ai. Se Marcelo ambiciona ser Presidente, tem no seu mini-eu, o anão lubrico – agora aos Domingos; a prestar-se ao papel de dizer as verdades parciais de agrado ao futuro líder das vychissoises ‘requentadas’.

Mas perante a insandecência que esta praça se tornou, onde a consequência é inconsequente, e os Reinados aparentam ir durar mil anos, pergunto-me, sabendo de ante-mão a resposta que eu próprio em silêncio me dou: onde anda Mário Soares?
Sim, o mesmo que visitou Sócrates ‘n’ vezes na cadeia em Évora, e depois, já em Lisboa, por três dias seguidos se deslocou em romaria ao nº 33 da Rua Abade Faria e, simpaticamente, cedeu o seu carro para que este fosse votar.

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O seu silêncio encanta-me.
De um momento para o outro parece que Soares é um velhinho simpático que não leva a vida a sério. Que apenas brinca e, sem querer, quebra um acordo estabelecido por tempo indeterminado.

Na verdade sabe que o peixe grande come o pequeno, a lagartixa maior come a menor, e que o Homem se come um ao outro. Mas a morte, essa grande invenção, é o que define a vida de todos nós. E a sua já não é para sempre.

Será que este desastre que ocorre tem a sua ‘bendição‘? Ou é apenas uma mudança natural…

O seu silêncio encanta-me.
Pois a ser de ouro, faz o resto parecer pirite.
E os tolos somos nós, travestidos a olhar este Eixo de Aliados em formação.

Texto inspirado no poema ‘Me gusta Dios’ do mexicano Jaime Sabines, interpretado pelo grupo de travestis Los Quintana.

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