Uma carta a António Costa

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Dr. António Costa
Secretário Geral do Partido Socialista
Partido Socialista
Largo do Rato, nº2
1269-143 Lisboa

Dr. António Costa,

Escrevo-lhe a título pessoal, em meu nome. Filho da geração que se viu nacionalizada com a ascensão de Esquerda na queda do Estado Novo, e mais tarde, com a Democratização de Portugal, graças em parte a Mário Soares, recebeu o que lhe fora espoliado, com o ónus de uma desintrevenção justa.
Chamo-me Francisco Caetano de Moura Pinheiro.
Sou filho de Abel Moura Pinheiro, mas para o caso em questão, quem sabe, principalmente, bisneto de Marcello Caetano.

Dirijo-lhe esta missiva para lhe dizer a vontade que tenho em o encontrar pessoalmente para lhe dizer o que penso de si. Que acho que o Senhor é um hipócrita. que coloca a sua ambição pessoal acima das necessidades reais de todos os outros, nomeadamente daqueles que em si votaram, o Povo Português.

Poderia citar de memória Sir Nicholas Winton, o “Oskar Schindler Inglês”, para dizer-lhe o que respondeu quando lhe perguntaram se tinha medo da morte, numa das suas últimas entrevistas antes de morrer em 2015 aos 106 anos. Disse que apenas tem medo de morrer quem acredita que exista algo depois. Quem tenha algo a prestar contas.
Nessa mesma entrevista falava naquela que considerava ser a principal qualidade Humana, sem a qual nenhum de nós se poderia definir, mas a qual falta à maioria: ética.
Tenho vontade de lhe dizer justo isso: o Senhor não tem ética absolutamente nenhuma. O que o faz ser uma pessoa de carácter duvidoso.

Como o que lhe quero dizer é algo mais directo e frontal do que me ficar por uma mera afrontação estilística do que é a definição de ética ou carácter, ou porque a educação que tive não me permite fazê-lo sem que o seja presencialmente, deixo esse facto para um hipotético encontro pessoal.

Permita-me então contar-lhe uma simples fábula de crianças que explica aquilo em que o Senhor nos está a meter, quem sabe, sem perceber o perigo de determinadas alianças encapotadas no que chamou do “derrubar do muro de Berlim”.
Pode que não saiba, mas o muro de Berlim quando foi derrubado não foi para unificar as esquerdas, antes para fazer com elas desaparecessem ao centro, e a opressão que por elas era praticada fosse terminada.

Quem sabe a Chanceler Merkel, que cresceu do “outro lado do muro” lhe possa explicar o que é crescer em liberdade condicionada, uma vez que o Senhor cresceu em total liberdade.

Quero contar a fábula da rã e do escorpião.
Seguramente que a conhece, mas conto novamente caso a tenha esquecido.

Estava um escorpião à beira de um rio necessitado de chegar à outra margem, mas tinha esse problema: não sabia nadar.
Logo ali à beira estava um grilo e uma rã. Desde logo o escorpião pensou consigo que era a oportunidade certa para atravessar o rio e chegar ao outro lado e assim, vendo o maior dos dois, pediu à rã para o ajudar.

– “Rã, ajudas-me a atravessar o rio? subo nas tuas costas e nadas até à outra margem.”
– “Mas não sei se posso confiar em ti, és um escorpião!” – dizia a rã

O grilo bem contestou a ideia, avisando a rã de que um escorpião é um escorpião, mas a rã preferiu ouvir o aliciante convite.

O escorpião conseguiu convencer a rã prometendo-lhe que na outra margem haveria algo para os dois. Uma abundância de mantimentos para saciar a fome desta inusitada parceria que, mesmo anti-natura, iria dar certo.
A rã, faminta, deslumbrada com o tanto prometido, acedeu e pôs-se a atravessar o rio de escorpião no dorso.

Chegando a meio da travessia, quando a rã já ia a bom ritmo, olhando de soslaio para o grilo que tinha escarnecido o batráquio, o escorpião faz o que um escorpião sempre faz: erguendo a cauda bem alto, num zás dá uma ferroada na rã que se afunda perguntando ao escorpião:

– “Mas tu prometeste que não me matarias!”
Ao que o escorpião, assertivo lhe responde sem pudor:
– “Bem sei, mas é que matar está na minha natureza.”

E assim, de uma ferroada só, rã e escorpião morrem afogados.

Faminto fica o grilo, dado que os mantimentos que todos podiam comer ficam na outra margem, a apodrecer.

A fábula é simples mas oportuna.

A história, mesmo que seja, por vezes, um conto-de-fadas, ou de La Fontaine, serve um propósito. É para ser lembrada, para que num amanhã não se repitam os mesmos erros do ontem.

Acreditar piamente ser um Partido que vai transportar outros mais pequenos, de ideologia dita radical, na promessa de que a mesma mudou ou adaptou, para chegar a uma qualquer abundância de estabilidade, e acreditar que não vai existir uma insurgência de princípios dessa ideologia base.

Dr. António Costa acredite. Se os políticos em geral, mas sobretudo os Portugueses, têm mau nome na praça, é por pessoas como o Senhor, que para subir a cargos de poder, não olham a meios muito menos aos fins, esquecendo que quem sofre não é a sua reputação. Antes a nossa, a minha.
Porque independente do meu passado, quero ter um futuro.
E aquilo que vejo em si não me serve.
É poucochinho.

Obrigado,
Francisco Caetano de Moura Pinheiro

P.S.: Ou então o escorpião desta história é o Senhor.
Detentor da razão, mas recordo-lhe: o suicida que nos mata a todos à fome.

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