Telepizza

Em meados de Agosto, quando os ânimos Germânicos se alinhavam pela Grega aniquilação, escutei ser proferida a expressão ” Vivemos no IV Reich!”.
Não fosse o desfecho das negociações Gregas terem surtido um efeito placebo alicerçado numa tragédia ao estilo dos clássicos de Ésquilo, Eurípedes ou Sófocles, a verdade é que o complôt de uma crise económica mundial rebateu e o olhar virou-se para problemas Humanitários substancialmente mais graves.

A Alemanha de vilã é agora uma Nação exemplar, e o julgamento de um IV Reich recai sobre uma injusta Justiça que parece mais estar com um calendário próprio e não com um olhar justo.
Dito isto, serei egoísta.
Esquecerei os refugiados. Os migrantes. Os imigrantes ilegais.

Vou me centrar naquele em cujo os holofotes se centraram desde que saiu da sua cela de reclusão em Évora e agora vive num presídio em Lisboa.
Não é autor de Tragédias nem um eminente Filósofo citável. Bastou-lhe ser político, demagogo como todos. Suspeito de algo indiciável por ser acusado.
José Sócrates.

As últimas 48 horas foram de uma alucinação mediática colectiva.
Se a 21 de Novembro passado ainda se surtiu o efeito dos culpados em cartório, agora já ninguém nega a evidência. O Big Brother está instalado. E a casa mais famosa do país é a dele. Ou a dela. Não importa. Há entregadores de pizza com mais tempo de antena que importância a dar à importância a ser dada ao que importa.

Telepizza.jpg

Não vivemos um IV Reich.
Vivemos num novo Império.

A sêde em séde do lugar do certo ou errado.
Desses que, acima de nós, numa cúpula de garantia e certeza, julgam quem abaixo deles conspurcam a vil existência Humana. Nessa redoma onde só os limpos e aprumados, livres das culpas do pecado terreno entram e dão a certeza do justo julgamento que os comuns mortais anseiam.

Vivemos o novo Império dos Juízes.

Os julgamentos em massa, que atingem um pouco todo o mundo ocidental, onde o crime e pratica da corrupção se tornaram em acto banal, são a pedra basilar para que essa seita dos justos surja como solução central do mal que aflige a Sociedade correcta.
Só que é a mesma Sociedade que produz o mal que a deixa consumir.
Neste pecado há pecadores e a sua salvação.

Olhando neste reduto, redutor em si, de onde parece que tudo não passa de uma resolução final, por forma a higienizar a existência da ascenção ao poder do capital corrupto, pergunto-me, na sã consciência da mortalidade e erro, afinal quem julga o julgador?
Ou, em simples facto meritório de questão: Pode um juiz errar?

Mas… a pergunta importa?
Quem se quer sequer pronunciar sobre esse omisso facto na condicionante da agravante de sequer em tal poder pensar?
Quem ousa questionar quem a ele o questiona. O inquire. O acusa. Processa. Julga. Culpa.
Culpa? Cadeia!

Cadeia? Não, eu não estou preso!
Eu só entrego pizzas. E não me deixaram entregar. Sabe, não tinha o bilhete de identidade.

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