Terra

É incrível como uma ideia prevalece: a obtenção de algo que não nos pertence mas ainda assim a compramos.
Falo da Terra.
Sim, do Planeta. Desse que não aumenta numa razão plausível de proporção, mas que a ser arável para subsistência, vê o Homem, como a auto-intitulada espécie dominante, tomar partido do mesmo como seu proprietário.

A guerra pela Terra é perpétua e eterna.
Durará o tempo que a mentalidade prevalecer no seu sentido mais básico e Humano de se considerar dono disto tudo.

Não é. Mas é.
Diz que é.

A ideia de posse, fazendo dela uma pose, é um enredo que nos acompanha desde que o Homem quis deixar uma marca como pegada da sua presença.
Depois a evolução natural, quando a sobrevivência se tornou em subsistência, seguiu o seu curso para se tornar partilha.
Mas a partilha envolve custos, e de amizade passou a troca.
A equidade passa a comparação, e a troca passa a ser valorada.

O que determina o valor de algo é tão concreto como arbitrário.
Tendencialmente compreenderia a lógica natural da retribuição. Ou um princípio cíclico de crescimento da Natureza e a forma como o Homem procede à sua transformação e armazenamento.

Só que a capacidade Humana do Engenho superou a Natureza e o natural ciclo da Natureza.
A prosperidade ocorreu no momento em que o tempo real deixou de ser necessário para determinar a capacidade de valorizar algo correspondente a um determinado ciclo natural.
Assim, entrando numa regra de oferta perante quem tem capacidade de oferecer quando escasseia no mercado, surge a especulação.
O Homem reconhece a ganância da posse.
E no seu esplendor de ostentação faz a pose.

Entre as ideias que vão surgindo, num mundo em que quem se faz dono é proprietário, manda o poder dessa posse.
O domínio estabelecido desse talão de terra garante a supremacia que o livre arbítrio contempla pela sua ausência.
Entrega o despojado a sua sobrevivência à terra de quem dela faz rendimento.
Gera-se a exploração.
Surge a protecção.
Definem-se classes.

Quando o garante de Liberdade passa a ser uma pertença individual – pensamento contemporâneo; a ideia da dependência na protecção como um rendimento de contribuição já não assenta na exploração. Ou a assentar, fixa-se na noção da agiotagem que é feita como forma de retirar uma contrapartida desleal de quem tem mais contra quem menos pode.
Surge a revolta popular.
A razão faz-se emoção.
A emoção derrota a razão.

A terra é de todos.
Todos querem tudo.
O tudo é de ninguém.

TERRA

Quando o princípio de igualdade para todos atinge a pedra basilar da ideologia política, descamba por falta da concepção abstracta do espírito Humano.
A ferocidade animal, num territorialismo primitivo, prevalece sobre a razão de ordem lógica.
A terra não nos pertence, mas queremos dela ser donos.
E a falácia absoluta do princípio gerador do pensamento contrário contra aquilo que é natural, e até animalesco em nós como a própria preservação da espécie, sucumbe perante o Livre Arbítrio da escolha.

Por razão lógica queremos ter posse, não necessariamente partilhar com todos.
Resguardamos o que é nosso e dos nossos, nessa lógica de razão sanguínea e sectária como uma segregação classista empírica.

Aqui entre de novo a acção reação da protecção e o querer tomar a iniciativa sobre uma pertença.
A ideia de que algo pode ser de todos, como defesa política, estabelece desde logo que haja alguém que coordene o todo, retrocedendo logo o princípio gerador.
Aqui surgem as razões de inversão democrática, onde a voz da escolha de todos é relegada à minoria controladora.
Quando a minoria sucumbe à sua falta de juízo, perante o conforto de acreditar na crença dessa ideia, o Liberdade individual volta a ser definida por um Líder que a faz Lei.

Surgem as Ditaduras.
A opressão antes combatida regressa por motivo de força maior, tanto mais quanto menos a terra expropriada e explorada em prol de todos alimenta quem não deve.
A culpa é arbitrária, fonte de uma Natureza que, gasta e sem propensão para um maior crescimento, não rende para sustentar a falácia prometida.

Queremos fugir. Fugir desta Terra.
Dessa que não nos pertence mas ainda assim a compramos.
Que não aumenta, numa razão plausível de proporção, mas que a ser arável para subsistência, nos vê, como a auto-intitulada espécie dominante, tomar partido da mesma como seus proprietários.
Donos-Disto-Tudo.

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