Previsionismo

Em tempos, não distantes, Paul Krugman surgiu como a voz de uma verdade consequente.
A seu duro realismo analítico perante a pujante economia dos anos 1990 anteviam o desfecho que chegou em 2008. Se muito se gastou inconsequentemente, garantia, na garantia em si, era, e é óbvio, que o desfecho terminaria por ser o que sucedeu.
Nesse ano, dada a previsão correctíssima de Krugman, é-lhe dado o Nobel por uma carreira em Economia aplicada à Globalização, nomeadamente pela sua tese da Nova Teoria do Comércio.

Só que a visão política de Krugman, embora assertiva, não contemplou algo inequívoco como o Livre Arbítrio ou o poder de escolha individual.

Sim, a Economia Global vive numa espécie de limbo de existência, suspensa na crença do não falhanço, mas ao mesmo tempo na aceitação de que confiamos implicitamente uns nos outros.
Quebrada essa confiança, como surtiu efeito em 2008, as ondas sistémicas surgiram ao estilo maremoto retardado.
Em Portugal, com base numa economia alavancada em crédito fictício, o rude golpe das políticas de ilusão cai em 2011 quando a bancarrota é declarada e a Troika chega.

Krugman percebeu isso, e em determinado momento compreendeu que a austeridade cega, aplicada na íntegra à Grécia, não traria boas consequências.
Nos casos Irlandês e Português já foi diferente, embora por distintas razões, quer políticas, quer culturais.
O facto, embora as dívidas públicas tenham subido exponencialmente e a pobreza aumentado em razão geral, estes países terminam os seus programas de assistência para uma continuidade de possível estabilidade.
Somente a Grécia falha duas vezes o estabelecido.

Krugman, na sua fria análise emocional, alinhou a sua política Liberal por um Liberalismo de Extrema Esquerda, e onde à restante consciência da ameaça as promessas eleitorais do Syriza pareciam caminho para o desastre, o Norte Americano viu essa oportunidade para o fim da dita austeridade como sistema.
Nisso teve uma réstia de razão, mas não por um programa político. Antes pela forma como as pessoas abordam a política.

Só que o certo deu errado.
A virtude oportunistica de Varoufakis deu errada. O oxi popular, ao se ver derrotado perante uma negociação, nunca teve tanta força em determinar a realidade de um Governo.
A Grécia pede um terceiro resgate.
Tsipras termina por ser o anti-Krugman.
Tsakalotos um perigoso economista em pele de cordeiro.

KRUGMAN.jpg

Já o próprio Krugman, depois de se transmutar num articulista brilhante de opiniões amplas, vira a coqueluche da Esquerda. Não subestima, sobrestima.
Após o desvio errático – ou equivocado; que teve na Grécia, onde a sua previsão glorificada da “sucumbência” da Direita face à Esquerda populista cai por terra, decidiu virar-se para o próximo país a ter eleições: Portugal.

Apoiado num estudo realista, mas momentâneo, sobre a pirâmide demográfica Portuguesa, diz que o futura da Nação resgatada da falência é falir de novo.
É a morte certa.

A Esquerda populista, em busca da sua bóia de salvação faz grande mediatismo viral das palavras de Krugman.

Respeito o Homem, o seu percurso e tenacidade previsionista, mas querer sempre acertar é errar na certa.

Olho para ele e vejo um daqueles adventistas do sétimo dia, do Juízo Final.

A verdade? Nem os Países quando vão à falência acabam ou fecham portas, nem quem neles vive desiste ou cessa de existir.
Nem muito menos será uma política fiscal que determinará a fecundidade feminina ou o número de nascimentos que se possam gerar. Surgindo a esperança, mesmo que vã – quando não o foi?; a continuidade persistirá.

Krugman virou um imbecil.
O que pode vir a ser bom.
Agora é mau.

(Portugal seguirá)

 

Neste ano com mais 1500 bebés do que no ano passado…

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